domingo, 1 de novembro de 2009

Densidade Infinita - Revisited



Aqui está um disco bastante difícil de se encontrar que foi comprado recentemente pelo Esquadrão SS. Já foi postado o último trabalho da banda que aliás é estupendo. Este, de 2002, entitulado Between Sunlight and Shadow, é bem diferente, comparado ao Of All The Mysteries. Quando digo diferente não se pode supor que seja pior. Leva uma temática diferente com diversas músicas intercaladas, umas bastante curtas e outras de tamanho médio, sempre no intuito de dar continuidade aos temas e construir com calma o clima guiado pelos teclados de John Green. O trabalho das vozes é muito bem feito. A única parte que, para mim, deixou a desejar foram alguns timbres de guitarra.

Esta postagem é mais um presente aos companheiros de blog que procuraram este cd. Excelente! Desfrutem.

Site

Link: Between Sunlight and Shadow


Rodolfo

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pensamento Científico - Revisited




Uma das principais diferenças fundamentais entre Religião e Ciência é o método científico. Isto é, podemos ser tão criativos em criar deuses quanto leis. Ambos não precisam de provas e estão engendrados em nossa observação e flexibilidade de definição. Alguns creditam fenômenos naturais a entidades para explicar e/ou predizer fatos. Alguns não, todos. Só estamos mudando nomes, palavras, pois posso dizer tanto vontade de Deus quanto campo elétrico. Falta algo mais.

Esse algo mais é chamado lógica. Todo pensamento atual, englobando as diversas ciências, é suposto ter caráter lógico e alguma teoria é dita ser do tipo dedutiva. Ou seja, arquitetamos um punhado - quanto menos melhor - suposições e chegamos a um resultado baseado em conclusões lógicas. Uma teoria dedutiva é a geometria criado por Euclides em que todos seus teoremas são criados a partir de definições, postulados e axiomas por meio de raciocínio lógico. Axiomas são teoremas considerados evidentes por si só na natureza e, portanto, não precisam de provas. Os postulados são afirmações construídas em cima de definições, assim como ponto, reta, quadrilátero etc. Também é comum encontrar esses termos como intercambiáveis. Parece bobo, a princípio, mas o fato é que essa argumentação lógica foi tão seguida à risca que por mais de 2 mil anos os teoremas de Euclides foram considerados como verdade absoluta!

Vejamos então como a mudança procedeu e suas implicações. Conhecido como axioma das retas paralelas, em que "por um ponto fora de uma dada reta, pode-se traçar uma e somente uma reta paralela àquela dada reta", foi alvo de objeção, por Gauss, Reimann, Lobachevski e outros, no século XIX. Nasceram então as geometrias não euclidianas. Como o assunto não é estritamente
matemática aqui, uma consequência de tal pensamento é refletido sob vários ângulos. Em primeira instância, se torna visível que em uma teoria dedutiva o ponto de partida na criação de axiomas não é auto-evidente ou dado pela razão pura (seja de quem for), mas sim, por uma quesntão de escolha! Dependendo de onde partimos chegaremos em diferentes resultados. Isso é bem esquisito se pensarmos que do nada chegamos a algum lugar. Joguem pedras na Ciência mas o fato é que nos desenvolvemos e temos um jeito de transmitir o discurso do papa para quem bem entendermos ou mesmo mandarmos um e-mail, puxarmos a descarga...

Ainda, dentro dessa aparente escolha arbitrária, sempre temos em mente uma concatenação lógica de eventos para alcançarmos algum resultado. E outra questão que inevitavelmente surge é se realmente a natureza se comporta de maneira lógica. Sinceramente, não tenho ideia concreta. Mas acho que se for de maneira lógica, um dia chegaremos a expressão matemática dela. Quando aí é pedir demais... Uma certeza que temos é que a lógica indubitavelmente trás frutos e não estamos perdendo tempo em considerá-la em todos os aspectos, até mesmo nos momentos mais randômicos do nosso dia-a-dia ou no imprevisível mercado de ações.

Bem, como axioma não é algo tão evidente assim quanto parece e damos ao luxo de nem mesmo prová-lo, o cuidado tem que ser redobrado na sua formulação. Em pormenores, seu conjunto de axiomas não pode ser redundante - não se pode derivar um axioma de outro - e, ainda, não pode ser contraditório - não se pode derivar um teorema e sua negação advinda da mesma estrutura/conjunto axiomático. Provar a ausência desses dois requerimentos é de enorme dificuldade. Já dogmas...


Rodolfo

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Test Audition



Então chegou a encomenda. Dentre tantos me supreendeu algo de nosso grande Brasil. Algo que deve ser novo para a grande maioria, tenho certeza. Haddad é uma banda não nova em tempo, e sim uma banda nova em atitude. Concentraram-se em somente fazer música de qualidade. Segue nota do encarte:
"Eros & Thanatos é conceitual e sintético:para mim representa aquele pote de ouro que somente os sonhadores encontram onde termina o arco-íris. Impossível dizer, na altura, se com ele chegamos ao fim da estrada; de uma longa e fantástica estrada musical.
O álbum que você tem em mãos abriga história e faz juz aela. A histórias de nossas vidas. Suas canções têm origensdiversas. No tempo, no espaço, na temática que abordam, nas emoções a partir das quais foram gestadas e a que se reportam. Muitas delas datam de quinze, vinte anos atrás... Claro, sofreram mutações; aperfeiçoamentos (quero crer), desde o dia em que vieram à luz até o momento em que foram gravadas e disponibilizadas para audição no formato que se tem aqui e agora. Daí tantas dedicatórias nos créditos e tantas remissões.
As dezenoves músicasdo repertório de Eros e Thanatos funcionam como corda de amarração, como elos que unem fortemente uma extensa cadeia criativa. A contar da overture: Deuses, anjos, homens & bestas. Quem acompanha a saga da banda há de perceber, faz alusão (explícita no título e implícita no fenótipo) ao cd lançado peloHaddad em 1997. Não estava pronta naquele ano (a propósito, DAHB foi a última peça composta para este disco), mas ergue uma ponte abstrata, metafórica, necessária entre passado e presente, entre o monstruoso da aurora e o angelical do anoitecer, entre o romantismo e impressionismo, entre o acústico brutal e o eletrônico singelo, entre inclinações e oscilações estilísticas aparentemente inconciliáveis, porém inexoráveis, como a trajetória descrita pelo pêndulo de foucault. ...]


Com letras em sua maioria em português, o album, lançado neste ano!, é bem eclético e deve agradar a qualquer amante da boa música. Deixo o CD 1 para degustação...

Site

Link: Haddad - Eros & Thanatos

ouLink
Link alternativo: Haddad - Eros & Thanatos



Rodolfo

Culinária musical

Compensando pelos tempos que nosso blog parecia abandonado e criava teias de aranhas, agora o ritmo de postagens é frenético. A postagem de hoje serve a mesma função daquela coisinha irritante do MSN que mostra o que o outro indivíduo está ouvindo, algo que varia normalmente entre clássicos do rock e porcarias atuais como John Mayer, Jack Johnson...

Mas aqui tudo é diferente! Quero mostrar o que tem deixado meus cabelos em pé e de ouvidos cheios nesses últimos dias. Sabe aquele disco que vc fica protelando em ouvir, sempre aparece na reprodução randômica do Media Player e vc pula... Até que finalmente tomei coragem e ouvi o disco na íntegra, uma, duas, três e quatro vezes. Foi o suficiente, estou fascinado pelo disco! E qual seria a obra em questão? Ah, boa pergunta, é de uma banda chamada Lobster Newberg, e o disco em questão é entitulado Actress.

Essa banda usa uma fusão de sons muito doida, contendo elementos do rock progressivo, jazz, metal, fusion, blues e outras coisas mais. A salada de sons tem uma execução magnífica e bem produzida. O disco tem atmosferas distintas entre as músicas e consegue acatar uma boa gama de texturas musicais. Realmente uma obra diferente e que dá gosto de escutar... Mas lembrando o que foi falado no início do post, talvez seja uma banda que vc relute em ouvir, crie uma antipatia repentina ao ouvir algun acorde estranho. Mas não se desespere, ouça com calma e atenção e tente curtir cada passagem e atmosfera criadas no disco.

E o culinária musical no título? Ah, isso refere-se da onde vem o nome da banda, é um prato de lagosta e coisas a mais que foi inventado por um cara chamado Ben Wenberg e fazia parte do menu de um restaurante na cidade de New York chamado Delmonico's Restaurant. O nome original do prato continha o nome de seu criador, Wenberg, mas após uma briga com o dono do restaurante o chef mudou o nome do prato para Newberg e continuou servindo o mesmo prato. Cultura inútil, não?

Dados da banda:
País: EUA
Cidade: Chicago

Integrantes:
Colin Peterik - Voz e teclado
Phil Miller - Guitarra
Jamie Dull - Bateria
Corey Kamerman - Baixo


Danda


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A recorrente e infinita discussão sobre Música




Bom, mais uma vez eu gostaria de abordar um tema amplamente discutido em mesas de botecos nessa vida. Um tema muito comum de surgir, mas que SEMPRE gera discussões calorosas e exaltadas. A temática tem relação fundamental com a essência desse blog, o tema em questão nada mais é do que... Música.

Simples, porém complexo.

Explico-me: como se nota pelo blog que mantemos, somos admiradores da boa música. Aqui nós exaltamos a música não notada pelas massas, a música nova, a amplitude de gêneros e bandas que o mundo atual nos proporciona, a diversidade cultural da origem da música... Porém, é uma visão um tanto quanto atípica, se tratando de maiorias. As pessoas costumam viver pela inércia, costumam apenas reproduzir o que assistem na televisão, o que ouvem no rádio ou o que o último sucesso da balada noturna. As pessoas tendem a se tornar apenas meios de reprodução, negando sua essência humana de ser um elemento de criação. Isso não me admira, pois vivemos na era do poder dos conglomerados midiáticos, das grandes redes de transmissão e reprodução de cultura cirurgicamente criada em escritórios das gigantes corporações do meio do entretenimento. O que se entende por cultura agora é simplesmente um bem de mercado. Pode-se dizer que pegaram a ‘cultura’ e abriram seu capital na bolsa, agora quem tem mais dinheiro tem controle sobre a ‘cultura’. E todos bem sabem que isso não é nenhuma teoria da conspiração ou devaneio da minha cabeça, pois o mundo bem entende como que funciona o mercado e qual é o poder do dinheiro. É natural que uma grande emissora de televisão vá cobrar de um artista um certo ‘jabá’ para colocá-lo no horário de pico de audiência no sábado à tarde. Da mesma forma acontece com as rádios e outros meios de mídia. Mas quem está exposto a esse tipo de ‘cultura’ não pensa e se questiona o porquê de tudo isso...

Mas, pela sanidade das mentes pensantes, ainda existem aqueles que se esforçam para entender sua realidade e são capazes de desconstruir aquilo que nos é martelado na cabeça desde que viemos a esse mundo, e são capazes de criar coisas novas. Pessoas que ainda resguardam uma gota de racionalidade e conseguem repelir o que o mercado tenta empurrar pela nossa goela. São seres que se aproveitam de sua capacidade intelectual para se tornar fonte e recepctor de novas e belas criações. Apreciar a boa música não é simplesmente uma questão de gosto, é uma questão de compreensão. Claro que música tem muito a ver com o gosto de cada um, mas a boa música se alastra por todas as categorias e gêneros musicais, permitindo que cada um ache seu gosto dentro desse amplo espectro de cultura legítima. Boa música tem a ver com seriedade, competência, dignidade, paixão, etc, etc. A boa música é feita por quem ama fazer música, por quem tenta entender o mínimo sobre o mundo musical, para tentar criar algo novo e bem lapidado, que seja capaz de transmitir sentimentos e experiências inexplicáveis. A boa música é feita com razões mais nobres do que ‘vender’ ou ‘fazer todo mundo dançar’, ela deve ter razoes que dignificam a essência do ser humano.

Muitos me perguntam: o que vc tem contra a música que se houve em boates, shows, rádios, tv’s, etc? A princípio, nada. Pois, pra mim, seria óbvio que as pessoas entenderiam aquilo como apenas um tipo de manifestação da cultura musical, o tipo comercial. Pra mim, é claro que todos os seres com um cérebro dentro da cabeça entenderiam que o conhecimento e a cultura transcendem o que passa na tv... Mas não é isso que acontece. As massas restringem sua realidade àquilo que é fácil de entender e que é fácil de se ter acesso. Qual o problema disso? O mundo esta ficando burro, esse é o problema!

A música, em seu princípio, não é uma fórmula geométrica de 3 minutos que intercala verso, refrão, verso... ou um bate-estaca repetitivo e alucinante que faz vc varar dias acordado sob o efeito de drogas em um espiral psicótico de alucinação. Isso não é música! Música vai além de tudo isso! Como diria Nietzsche, “A música nos oferece momentos de verdadeiros sentimentos”. O que Nietzsche tenta dizer é que a música está intrinsecamente relacionada com paixões, com sentimentos, com a expressão máxima que o ser humano tem de sua subjetividade. Não é simplesmente ouvir uma baladinha pra ficar animado ou um hip-hop pra se sentir o cara do mal rodeado por putas. Música é a realização de algo intangível de tão grandioso e complexo. Construir uma obra musical é uma tarefa que exige reflexão, cuidado, estudo e paixão. Quem consegue entender esse conceito de música consegue expandir sua compreensão do mundo, o que abre novas possibilidades de construir uma realidade diferente, uma realidade melhor. Ficar preso no que toca na Jovem Pan, no Caldeirão do Huck, na Universo Paralelo... etc... vai atrofiando o cérebro daquelas que negam sua essência racional e insistem na hipotrofia intelectual. Não é a toa que na comunidade dos blogs de rock progressivo, jazz e outros gêneros da boa música, sempre existem discussões de alto nível intelectual. Nessa comunidade virtual conhecemos, mesmo que virtualmente, pessoas polidas, letradas, bem educadas e muito inteligentes. Pq? Pq são pessoas preocupadas em expandir seu conhecimento e sua cultura, não ficam presas no show de horrores que a mídia insiste em promover. Enquanto isso basta uma rápida olhada pelas comunidades do Orkut relacionadas a qualquer tipo porcaria de música para percebermos a falta de qualquer tipo de lapidação mental das pessoas, nem mesmo escrever corretamente as pessoas conseguem mais... Não que os textos aqui postados sejam um primor da gramática e do exercício intelectual, mas aqui, pelo menos, nós tentamos nos melhorar a cada dia. Nós tentamos levar a todos uma pitada de cultura, apenas uma fração do que o mundo pode nos oferecer se estivermos com a cabeça aberta.

Em contraste a isso somos obrigados a encarar uma frase comum que sempre escutarmos por aí: “Poxa, vcs são tão cabeça fechada...”
Essa frase fecha minha argumentação com chave de ouro, pois nós, que buscamos todos os dias, incansavelmente, novas fontes de conhecimento, cultura e gêneros musicais, somos os ‘cabeça fechada’! Simplesmente genial! Por outro lado, quem simplesmente reproduz o que ouviu na tv, rádio e na boate é cabeça aberta...

Isso tudo foi colocado aqui para efeitos de reflexão. Para ver se as pessoas conseguem compreender essa argumentação e essa nova visão da realidade. Para os blogueros de plantão e ‘soldados’ da boa causa digo que devemos sempre lutar contra o fluxo da massa e tentar construir um mundo mais lúcido e coerente, de pessoas dispostas a realmente ‘abrirem’ suas cabeças para novas experiências culturais, mesmo sendo uma tarefa bem difícil, haja visto as figuras que temos que encarar por essa vida.


Danda.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Well, well... Mr. Orford


This post deserves a full coverage, that's why we are writing in english. Recently, a SS member, namely, Danda, sent an e-mail to Martin Orford. This guy was, untill last year, simply the keyboardist since 1983 from one of the greatest neo progressive band from England called IQ. The content speaks for itself. We have already been through this discussion and in matter of fact that's not the point here, though we can afford it pretty well if someone desires.

Click the image to enlarge and read the "no thanks to" part.

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Date: 2009/9/15
Subject: Fan from Brazil! (please read my email)
To: gepuk@msn.com


Hello, Mr.Orford,
First I must say that I'm a big fan, I really admire your work. The Old Road is great!

Second, I'd like to say that I got really disappointed with the words you mentioned on the Old Road cover, in the part “no thanks to”. I was offended when I saw one of my idols saying that people who download or upload music on the web don’t deserve “thanks”. Just so you know, if wasn’t for people uploading this material on the web I would’ve never known your music (or IQ, or a thousand other bands). I live in a country called Brazil, this kind of music simply doesn’t get here by any means, and there are a few stores that sell imported records here, none of them in my city (the one stored that sold this kind of stuff doesnt exist no more). To download things from the web it’s the only way I can get to know new bands. Thanks to people who upload this stuff to the web I can now buy the original versions that I liked the most from foreign websites, like my recently purchased IQ – Subterranea Live dvd, that I bought from Amazon. And I need to carefully choose which ones I’m gonna buy, because when I buy something imported I have to pay, at least, 2 times what it costs because of taxes and currency differences. What costs 10 pounds for you to buy I pay the equivalent to 50 US dollars.

What you are saying basically is that I’m not entitled to hear new albums because I don’t have the money to buy them… Yeah, that sounds a really “pro-culture attitude”. The Old Road I got here is downloaded, but after your words I’m not really sure if it is worth to buy the original version.

I hope you re-think your attitude because I’m a huge fan, and I wouldn’t like to be disappointed by people that I so much admire.

Cheers,

Danda


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From: Martin Orford <gepuk@msn.com>
Date: 2009/9/15
Subject: Re: Fan from Brazil! (please read my email)


Hi Danda
Illegal downloading might be good for you, but it is not good for me. In fact it has completely destroyed my musical career and I will not be making any more albums in the future because I simply can't afford to. I am now unemployed and living on welfare benefits so I have every right to be angry with the people and the Internet "culture" which has robbed me of the opportunity to make an honest (and never well-paid) living.
Having run GEP Records single-handed for many years I have now been forced to give that up as there is no money left to pay me even a very small wage for running the label. CD sales (which used to pay for new albums to be made) have dropped by about 80% in the last 3 years, and unsurprisingly most of the main distributors like Pinnacle and SPV (who not only sold CDs but also legal downloads) have gone out of business in the last 9 months. In my opinion this is entirely caused by illegal downloading and it really doesn't matter to me if people wouldn't have heard my music without resorting to Torrent sites. I'd rather have one fan who pays for their music than 100,000 who don't.
Making albums is very expensive and fans who don't buy anything are no use at all, and if that offends you, then too bad. I absolutely 100% don't think you have the right to hear albums if you're not prepared to pay for them, the same way that I don't have the right to walk into a shop and take something off the shelf without paying. It's no good playing the "poverty card" with me because I'm poor too!
If you are disappointed with my attitude then don't download my albums anymore - I shan't lose any sleep over that.
Martin Orford

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Oh, I won't even respond to your words. But you can be sure that I won't download or buy ANYTHING from an ignorant person like you.


Good luck.

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Good, suits me fine. People like you disgust me.
Martin Orford

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

5


DIVULGAÇÃO

Conheça e baixe o novo cd da banda brasileira Pandora101!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Tetéia!


Este post é um simples upload dos cds que o Esquadrão SS comprou recentemente. Nada fora do comum e também fácil de achar na internet. Além do mais, os sites oficiais estão recheados de informações sobre as bandas. As duas bandas têm em comum Roine Stolt e serem classificadas como progressivo sinfônico. Veremos...

Kaipa tem como lider Hans Lundin. Tirando o que ele pensa sobre música, o resto é bom. O álbum Mind Revolutions conta com Roine, claro, Patrik Lundström da banda Ritual nos vocais e Aleena também nos vocais. Vou dizer que, em geral, não gostei dos vocais dela. Achei que simplesmente, em algumas músicas, não combinou com a banda. Com o Patrik é diferente. As minhas preferidas são The dodger, Last free Indian e a Mindrevolutions que tem quase 26 minutos. Mas o álbum é realmente muito bom.
Site
Link: Mindrevolutions


A outra é a conhecida banda The Flower Kings. Agora sim, completamente encabeçada por Roine. Este cd é um dos meus preferidos da banda. Posso dizer que todas as músicas são excepcionais. Talvez canse um pouco ouvir a de 24 minutos, Love Is the Only Answer, porém quando tiramos um tempo vale a pena. A Trading My Soul é pequena e precisa. Muito bem elaborada. Na minha opinião, a banda precisa de outro baterista. E, de fato, o próximo cd será com outro.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Brosol 157-200


A banda irlandesa instrumental 3epkano traz sons inusitados mesmo para quem está acostumado com climas orquestrados, tensos e obscuros. Segue-se a formação: Lioba Petrie (cello),Karen Dervan (viola), Richard McCullough (keyboards/organ), James Mackin (drums), Laurence Mackin (bass), Cameron Doyle (electric guitar), Matthew Nolan (electric guitar).
O album At Land, de 2007, é o segundo e mescla passagens do que se diz por aí de experimental com levadas articuladas de vários instrumentos ao mesmo tempo e intercala climas realmentes calmos e bonitos. Sempre quando vejo o label experimental fico com o pé atrás. Não foi o caso deste.
A proposta da banda é fazer sons adequados a trilhas sonoras de filmes. Pode-se conferir no myspace um pouco dessa parte. O site ainda oferece alguns links de download. No mínimo, teste!

Site
Myspace

Link para Download: At Land

Link Alternativo: At Land

Rodolfo

terça-feira, 7 de julho de 2009

Revisão Economica e Política

Esse extrato de reflexão pretende tratar do atual panorama econômico de alguns países e de certos aspectos políticos do mundo. Como há muito tempo não faço, resolvi arriscar um apanhado geral sobre alguns aspectos que eu tenho achado bem interessante em algumas partes do mundo.

Acredito que estamos encarando um período bem interessante na nossa história nacional e mundial. Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, muitas coisas ruins, mas muitas coisas boas também. A começar pelo conjunto de estadistas que atualmente estão comandando o espetáculo. É uma seleção, no mínimo, interessante.

Na América do Sul temos um punhado de esquerdistas que tomam conta de tudo. Talvez, o mais controverso de todos seja Hugo Chávez, que está sempre metido em questões polêmicas, acusações de abuso do aparato público para instaurar uma ditadura, brigas com os EUA, etc... Mas Chávez, em meio a golpes de estado e deposições, conseguiu se tornar uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Times. A Venezuela é uma peça chave na rota do petróleo (12% do PIB venezuelano está ligado à atividade petroleira)[1] e Chávez se baseia nisso para conseguir respaldo de suas ações. A tolerância dos EUA com a Venezuela só existe por causa do petróleo, nada mais. Os EUA chegam a considerar a Venezuela uma ameaça a segurança na América Latina. Porém, os EUA, sendo grandes consumidores de petróleo, não podem fazer muito a respeito. A atividade petroleira faz com que a Venezuela cresça em torno de 10% a cada ano (em termos de PIB)[2]. Existe um esforço por parte do presidente em reinvestir esse capital de volta no país, gerando altas taxas de investimento (formação bruta de capital) em torno de 25% do PIB[3]. O problema é que o país ainda se volta muito para questões insolventes, tentando fazer chover no meio do deserto. A única forma de tratar questões como infra-estrutura para melhoria das condições básicas para se viver é conseguir construir um aparato decente de apoio ao cidadão. Esse aparato exige muitos recursos, obras e investimentos. Mesmo Chávez conseguindo altas taxas de investimento público nos setores base, ainda existe uma lacuna econômica no país. É o mesmo mal que assola a maioria dos países da América do Sul, a falta de confiança que eles passam para os investidores de fora. Isso afasta capital de investimento do país, atrasa o desenvolvimento básico de certas instituições e restringe o país a sua dependência do aparato público. Nenhum país consegue sobreviver apenas com o aparato público. O setor privado deve ser desenvolvido e mantido de forma coesa e bem estruturada. Mas apesar de negligenciar esses aspectos, Chávez tem grande carisma frente à população pobre, pois é um líder que baseia suas propostas na melhoria das condições de vida das comunidades pobres, isso lhe dá respaldo de manter sua governança.

Já na Argentina, Cristina Kirchner só não atrasa mais o país porque não consegue. O país é fonte de desconfiança para qualquer agente da dinâmica mundial. A economia argentina é um mistério para qualquer economista, nenhum investidor se arrisca por lá, pois não se pode confiar nos dados divulgados pelos órgãos públicos responsáveis. Nem mesmo o setor público argentino confia nos dados divulgados por ele mesmo. Para se ter uma noção, recentemente foram divulgados os dados do PIB argentino, os analistas simplesmente disseram: a margem de erro é de 2% nos número de crescimento do PIB[4]. (!!) Uma margem suficiente para classificar uma economia tanto como expansionista como recessiva!! Um total absurdo. E no que isso afeta a vida das pessoas? Bom, o dado que acusam o governo de manipular é simplesmente a inflação. Acho que o brasileiro bem sabe como é ter problemas com a inflação. Basicamente isso indica a falta de coerência entre oferta e demanda dentro da economia. A inflação delata problemas na balança comercial, problemas no câmbio e, além de tudo, problemas nos custos produtivos. E mesmo eles sendo os responsáveis por estragar sua própria economia, ainda ficam reclamando e choramingando novas barreiras comerciais para proteger o deturpado mercado interno do país. Para se ter uma noção do estado caótico das coisas até o Vice de Cristina, Julio Cobos, se virou contra ela, quando esta tentou colocar um encargo tributário em cima das exportações dos agricultores (que corresponde a 60% do total de exportações). Desde que Julio Cobos vetou a estripulia de Cristina que os dois estão sem falar. A votação parlamentar que aconteceu agora por lá indicou bem a decadência do governo dos Kirchner. A oposição agora toma conta da maioria do congresso, e os indicadores de aprovação do governo de Cristina vêm cada dia mais perto do fundo do poço. O que podemos esperar é que o futuro da Argentina guarde uma surpresa agradável... do contrário não sei exatamente a Argentina vai parar.

Nos EUA, talvez o homem mais relevante do momento, Barack Obama se elegeu presidente. Um líder democrata ‘semi-negro’ que rompeu com a barreira racial que atrasa os EUA até hoje. Mas ele foi obrigado a se contorcer por caminhos comuns a fim de obter aceitação nacional. A eleição de um negro nos EUA sempre foi esperada como uma ‘libertação’ da causa racial, pois, finalmente, a comunidade negra teria um representante. Mas, sejamos honestos, Obama não é bem um representante da comunidade negra norte-americana. Ele não carrega com ele os modos de falar, agir e pensar dos negros norte-americanos. Ele não é o cara que vai sentar com um bando de ‘nigga’ e conversar como se nada estivesse acontecendo. Obama teve de se ‘infiltrar’ na política, ele teve de se camuflar, e ele fez isso sendo igual aos outros políticos. Nada mais natural.

Agora, já eleito e nos braços do povo, Obama enfrente o caos do setor financeiro norte-americano, e carrega fichas pesadas de aposta em suas costas. O democrata está sendo responsável por arquitetar uma reforma do setor financeiro americano. O mercado terá que enfrentar uma total reformulação institucional, que criará organismos de controle e vigília sobre as ações financeiras. O que, pra nós brasileiros, não é nenhuma novidade. Aqui nós já temos a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central vigiando e mantendo controle sobre os arcabouços perigosos do mercado financeiro. O conservadorismo brasileiro, tanto criticado pelos investidores estrangeiros em outrora, agora é referência para os países mais desenvolvidos do mundo. Além de ter que criar esses organismos, Obama visa uma reforma tributária ampla, deslocando a carga fiscal da classe média para conseguir incentivar o consumo e aquecer a economia. Conseguir um aumento de consumo e movimentação econômica agora vai ser difícil, pois o crédito está escasso. O povo americano, que é conhecido pelo consumo desenfreado e pelo acúmulo de dívidas, terá que se contentar com a diminuição brusca do crédito daqui pra frente. Segundo o IIF (International Institute of Finance), os bancos vão reduzir até U$ 2,7 trilhões das linhas de crédito para cartões até 2010, é um valor quase igual ao PIB brasileiro. Essa desalavancagem mostra como o mercado americano flutua sobre um capital desregulado. Juntar os cacos dessa economia e conseguir remendar tudo vai ser uma tarefa complicada, mas eu estou otimista quanto ao potencial de Barack Obama.

Por aqui no Brasil, já há 7anos no poder, temos o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Lula foi um metalúrgico do movimento sindical, que lutou por décadas para alcançar o posto mais alto na hierarquia pública da nossa nação. Foi uma luta imensa e que teve que romper com vários paradigmas da sociedade brasileira. A nossa democracia é muito recente e quase sempre tivemos líderes direitistas à frente do país. Eleger um líder sindical que nem tem ensino superior foi algo memorável. Bom ou ruim, é um capítulo que entrará para a nossa história, pois é uma quebra de paradigma significativa. Alguns dizem que não significou tanto, já que o governo do Lula se contorceu para a centro-esquerda e beliscou várias vezes o lado da política direitista. Mas, da mesma forma como Obama se ‘camuflou para chegar a Casa Branca, Lula se ‘poliu’ para chegar ao Palácio do Planalto. Descrevo a atitude do Lula assim como a de Obama, ‘nada mais natural’. Explicito que se o candidato percebe que seu sucesso está condenado pela forma como ele age, fala ou reivindica certas causas, ele vai mudar e tentar chegar o mais próximo possível daquilo que as pessoas esperam dele. Esse é o caminho para o êxito, é a forma que o candidato vai ter de chegar ao poder. Apenas depois de assumir controle dos meios materiais é que o político tem condições de mudar ou consertar o que pretende. Deixo claro que não estou falando de quem se corrompe para alcançar seus objetivos, mas sim de quem é flexível nas suas atitudes, de quem sabe usar da conjuntura para alterar a estrutura.

Se contrastarmos Lula com os seus ‘parceiros’ latino-americanos acredito ficar um pouco mais nítido o bem que fez para o nosso país essa mudança na postura de Lula. Acredito que se tivéssemos aquele velho líder sindical maluco à frente do nosso país o caos estaria perto, e a Argentina é que estaria caçoando de nós nesse momento. Mas contrariando todas as expectativas de 20 anos atrás somos nós que estamos despontando como líderes econômicos da América do Sul, e não a Argentina. Enquanto eles ainda lutam, usando ferramentas rudimentares e arcaicas, com câmbio e inflação, nós temos certa tranqüilidade na flutuação da nossa moeda e na aposta de baixa na inflação e nos juros.

O Brasil chegou em um ponto que é possível conceder benefícios aos setores reais da economia aproximando os juros do zero, corrigindo apenas o deságio inflacionário, em torno de 4,5 a.a[5]. Finalmente conseguimos vencer a flutuação descontrolada do câmbio e manutenção do mesmo de forma artificial pelo Banco Central, o que criava déficits enormes nas contas públicas. Hoje o nosso câmbio flutua dentro de margens seguras, com poucas interferências do Banco Central. O resultado disso é muito mais segurança econômica, é você poder guardar seu dinheiro em casa sem medo de que ele esteja valendo a metade do que valia 6 meses atrás. Mas como chegamos até aqui? Acho que todos devem lembrar do Plano Real.

O Plano Real foi um conjunto de medidas econômicas formuladas por um time de economistas e estudiosos da área, convocados pelo então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, sob a administração do governo de Itamar Franco em 1993. O Plano tinha o objetivo de substituir a moeda corrente na época, Cruzeiro Real (também implantada por FHC), pelo Real e tentar minimizar os efeitos da inflação e da flutuação cambial sobre a nossa economia. O Plano entrou em vigor em 1994 e foi a plataforma para a eleição de Fernando Henrique Cardoso. O Brasil conseguiu trocar de moeda quase que do dia para a noite, de forma ordenada e planejada, suavizando todos os efeitos negativos da troca repentina de moeda. Foi criada, por lei, a URV, Unidade Real de Valor, que tinha por objetivo manter o poder de conversão da antiga moeda até que toda a substituição tivesse sido feita. Dessa forma evitou-se o pânico e a correria que se cria quando o governo confisca repentinamente toda a moeda ‘velha’ da economia para implantar uma nova e cria um deságio no valor de troca. Já o problema da inflação era mais complicado e exigiu algumas medidas mais bem arquitetadas, como por exemplo, a desindexação da economia, que passou a reajustar os preços anualmente seguindo os custos reais da produção. Isso é necessário se fazer porquê o processo inflacionário no Brasil ocorria pela falta de infra-estrutura produtiva, o descontrole salarial e da balança comercial deficitária, o que criava um ambiente de descompasso completo entre oferta e demanda no mercado interno. Esse processo condenava o país a um ciclo de correções de preço quase que a cada minuto. Para que o país conseguisse fugir desse ciclo, a aplicação da desindexação econômica foi fundamental, mas teve de ser aliada a uma abertura econômica ampla, que seria o instrumento responsável por preencher as lacunas deixadas pela indústria brasileira. Ou seja, como o governo impôs restrições do reajuste de preços ele também teve que providenciar a oferta de mercadorias que fossem capazes de completar o mercado. Além disso, foi definida a política cambial como câmbio artificialmente controlado, o que levou as contas públicas a atingir grandes déficits, pois o Banco Central era constantemente obrigado a utilizar suas reservas para manter a paridade cambial. Para corrigir isso foram adotas medidas para aumentar a arrecadação federal e cortar os gastos públicos. O problema é que uma das medidas para aumentar a arrecadação consistia no maior recolhimento dos depósitos compulsórios, o que restringia o financiamento ao setor produtivo. A timidez do crescimento do nosso setor produtivo, aliada às privatizações ocorridas no período atrasaram, de certo modo, o desenvolvimento da indústria nacional. Isso contrastava com a idéia do governo de que uma maior abertura comercial traria maior desenvolvimento da indústria.

Hoje temos essas falhas corrigidas. Temos amplo incentivo à indústria e à exportação. O BNDES se tornou ator central na política econômica e exerce papel importantíssimo na nossa atual conjuntura, financiando, não só a exportação, como a própria produção para o mercado interno. O BNDES oferece uma gama enorme de programas de financiamento para diversos setores e finalidades. Os programas de incentivo aos setores fundamentais formam um amplo leque de políticas bem coerentes. Obviamente ainda estamos falando de Brasil, e por aqui as coisas são lentas. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), por exemplo, mesmo tendo sido bem arquitetado, ainda enfrenta problemas da decadência burocrática do aparato institucional do Estado. Temos pouco mais de 13% das obras do PAC concluídas[6]. E o ritmo vai continuar sendo lento, pois a própria máquina estatal é lenta e atrasada. Por outro lado, nossa política econômica consegue focar bem no setor produtivo, e o alastramento do crédito e principalmente do micro-crédito, facilitaram o caminho para pequenas e médias empresas. Ainda existem certos problemas quase culturais, por exemplo, o Brasil tem, encardido em sua história, a tradição de se sustentar no crescimento das grandes empresas e latifúndios e nas gigantes estatais, como Petrobrás, Siderúrgica Nacional, etc. Porém, temos que passar a valorizar os pequenos e médios empresários de certos setores, valorizar as empresas que conseguem fazer a diferença no desenvolvimento da indústria. Não adianta incentivarmos uma pequena siderúrgica para competir com a Vale, ela realmente não tem vez frente as gigantes. Também não adianta continuarmos incentivando a agricultura em larga escala, pois precisamos expandir nossa capacidade produtiva com valor agregado. Temos que abrir lugar para as empresas crescerem em setores subdesenvolvidos ou atrofiados, principalmente aliando isso a investimentos à pesquisa. Pesquisa e desenvolvimento tecnológico são pilares centrais de qualquer país de ponta, e eu acredito que, finalmente, estamos conseguindo dar os primeiros passos sólidos em termos de investimento em pesquisa. Em 2004 o governo repassou pouco mais de R$ 318 milhões para atividades profissionais, científicas e técnicas. Em 2008 esse número quase dobrou, chegando a pouco mais de R$ 600 milhões de repasse[7]. São passos bem tímidos ainda, mas já traçam, na direção certa, o começo de uma longa jornada.

Mas todos sabemos que para desenvolver pesquisa e desenvolvimento em um país é necessário se desenvolver a base de tudo! O sistema educacional. Aí que a coisa fica feia. Pois, ao contrário da econômica, não bastam medidas objetivas do dia pra noite ou um repasse de verbas para resolver o problema. Deve-se efetivar uma reforma completa da estrutura do sistema educacional. A revisão institucional é fundamental para se alavancar o conhecimento. Mas o que vemos é que cada dia mais se aumenta uma disparidade enorme entre o sistema público de ensino e o mínimo que se exige para uma pessoa ser alfabetizada. Enquanto as escolas particulares aumentam seus carnês de mensalidades a cada ano para valores astronômicos as escolas públicas vão baixando cada vez mais seus critérios de ensino. Nesse aspecto ainda temos uma caminhada longa... muito longa.




[1] Banco Central da Venezuela.
[2] Banco Central da Venezuela
[3] Banco Mundial
[4] Jornal Valor Econômico do dia 19/06/09.
[5] Banco Central do Brasil
[6] Folha Online no dia 03/06/2009
[7] Portal da Transparência
Danda.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

27 Km

Banda brasileira chamada Sincrônica muito pouco divulgada. Fazem um excelente trabalho mesclando diversas influências na música instrumental. A formação é composta por Beto Sporleder (sax-barítono, sax-soprano, e flautas), Eduardo "Pitú" Rassi (guitarras), Adriano Radael (bateria)San (percussão), Pedro Sossego (baixo e violão) e Samir El-Shaer (violão e guitarra).

Apesar de o lançamento, de 2004, Música Para Os Olhos ser curto, com seus 30 e poucos minutos, é recheado de composições inteligentes e de extremo bom gosto. Os arranjos são muito bem elaborados e conseguem enaltecer a performance de todo o grupo. Eu destaco principalmente o baixo muito presente com linhas nada entediantes e o trabalho das guitarras que, pelo "visto", é a linha mestra condutora. O toque dos sopros dão aquele ar brasileiro nas músicas.

Além disso tudo, a banda disponibiliza o cd no site Trama Virtual para download. Para isso, basta se cadastrar. Na tentativa de comprar direto da banda, descobri que saiu de fabricação. Porém, a banda já está pretendendo lançar outro disco. Para os mais preguiçosos, disponibilizarei os links para download. Mas recomendo fortemente baixar direito da banda. Aproveitem!

Site

Download pelo Trama Virtual.

Links alternativos:
-Música Para Os OLhos (Sharex)
-Música Para Os OLhos (Rapidshare)


Rodolfo

sábado, 4 de abril de 2009

Índice de Reflexão



Esta postagem não é apenas de uma banda. Deixarei a banda por último.
Por coincidência, a partir da banda Mirrors Mountain, pude conhecer o site jamendo, que é uma plataforma para downloads musicais para baixar música gratuita e legal. Creative Commons dispõe licenças gratuitas que permitem aos artistas garantir seus direitos sobre suas obras artísitcas. Simples de utilizar e de acordo com os padrões web, as autorizações concedidas ao público não são exclusivas e permitem que este usufrua das obras, entretanto, existindo a possibilidade de restringir o uso comercial da obra, os seus trabalhos derivados ou o grau de liberdade concedido. Partindo da idéia de "todos os direitos reservados" do direito autoral tradicional a Creative Commons a recriou para transformá-la em "alguns direitos reservados". A definição de música livre é a música que não é gerenciada por sociedades de direitos coletivos(MCPS, ASCAP, SOCAN, BMI, BUMA...) - tirem um tempo pra ler sobre o que essas siglas significam. Artistas escolhem proteger seus direitos através de licenças não exclusiva como Creative Commons. "Música livre" não significa custo zero ou qualquer direito restritivo, mas "alguns direitos reservados". Artistas definem que direitos eles garantem à suas músicas através da escolha da sua licença. O Jamendo pode ser legal e gratuito graças às licenças Creative Commons. Elas autorizam a difusão e a distribuição (downloads, redes P2P, etc.) gratuitas e inteiramente legal. São os artistas que escolhem este tipo de licença e, consequentemente, optam também por utilizar o Jamendo para promover e divulgar seus trabalhos. Lá se encontra vários estilos de músicas. Baixei algumas bandas mas ainda não escutei. Quem ouvir algo bom deixe um comentário pra gente.
Nesse mesmo ritmo, o blog Blacksmith Lion's Field frequentemente divulga diversas bandas relacionadas a música progressiva, além dos blogs já disponíveis ao lado. Ainda, vou fazer como ele e colocarei link's de bandas que disponibilizam downloads no seu próprio site.



A banda Mountain Mirrors faz um som "heavy acoustic music from the Massachusetts woods", como seu próprio site exclama. Possui três cds, mas infelizmente só o de 2006 conseguiu despertar algum interesse. O cd também se chama Mountain Mirrors e traz cordas de violão trastejadas, toques sutis de teclados, uma batera nervosa e voz sóbria. Esse conjunto de características deixa o som interessante. Os solos de teclados são bem parcimoniosos - às vezes até demais. Ao contrário da mão pesada do violão. Apesar de aos poucos o disco ficar mais light.

Site

Link para download (jamendo): Mountain Mirrors





Rodolfo

quinta-feira, 12 de março de 2009

Em nome do pai, do filho da p*...




Trago de volta para pauta de discussões as peripécias da igreja católica. Sim, mais temas polêmicos! E foram dois eventos particulares nesta semana que me chamaram a atenção: as declarações do Dom Dedé no caso da menina de 9 anos abusada pelo padrasto e o artigo do jornal do vaticano L’Osservatore Romano em homenagem ao dia das mulheres. Vamos começar pelo primeiro.

Para quem não está familiarizado com a história envolvendo Dom Dedé, o que o ocorreu foi o seguinte: uma menina de 9 anos foi abusada pelo padrasto e engravidou, de gêmeos. A garota, além de ter 9 anos de idade, não tinha uma saúde boa, provável resultado de má nutrição na infância, o que apontava para uma gravidez de muito risco. A mãe da menina a levou para fazer um aborto e, após o aborto ter sido feito, Dom Dedé excomungou toda a equipe cirúrgica e médica que ajudou a menina. Detalhe: ele não excomungou o padrasto estuprador, pois segundo ele, o pecado pior foi dos médicos (assassinato).Dentre muitas declarações imbecis o tal Dom Dedé afirmou coisas como “aborto é assassinato, não podemos acabar com duas vidas para salvar outra, todas as vidas são igualmente importantes”. Bom, me recorreu o seguinte pensamento: temos dados estatísticos que nos levam a crer que certos tipos de gravidez são de risco e que, muito provavelmente, a menina, assim como os gêmeos, morreriam durante a gravidez. Esse tipo de argumento não pode ser usado pela igreja porque a ciência não é obra de Deus (o capeta que deve ter criado a ciência, medicina e todas essas coisas que tanto atrapalham o nosso dia a dia), mas o padrasto abusar da menina sim, isso sim faz parte dos planos divinos. De alguma forma deturpada de entendimento da realidade a menina estaria encarando os planos de Deus, sendo abusada pelo padrasto doente, e não poderia interferir no mesmo fazendo um aborto. Eu gostaria de entender o que se passa na cabeça das pessoas que corroboram com esse tipo de pensamento arcaico e oblíquo. “Ah, mas Deus tem um plano maior para ela! Depois do sofrimento ela será recompensada!”. Não é apenas um fato estatístico de que coisas boas e ruins acontecem intercaladamente, mas sim planos de Deus! Ciência não, crendice sim! Hmmm, então se a gente n seguir o plano de Deus a gente vai sofrer eternamente e nossa vivência aqui na Terra vai virar o caos... segundo acreditam. Se fosse assim era pra eu estar ardendo no meu sofrimento e agonia pelas heresias que divulgo aos quatro ventos do planeta. Mas pra que lógica se temos religião?!

Aproveitando o tema eu vou falar brevemente sobre aborto também (hoje n vai faltar farpa pra ninguém, hahaha). Assassinato... é a palavra que ta na boca da elite conservadora religiosa que vai contra a idéia do aborto. Assassinato implica em terminar uma vida de forma proposital pelas mãos de terceiros. E vida, o que significa vida? Não vamos nos ater ao conceito biológico da palavra, pois o mesmo é muito amplo. O conceito de vida para um ser humano é um conceito que vai fundo em indagações filosóficas. Vida implica em entender e responder a uma realidade. Vida implica em ação e reação entre agente e estrutura ou entre agentes. Vida é o que nos determina como seres únicos e pensantes, racionais e capazes de decisões embasadas.

Um bebê em gestação só começa a desenvolver suas capacidades sensoriais a partir do segundo mês de gravidez, ou seja, é aí que ele começa a perceber o mundo. Até então ele é apenas um organismo em funcionamento, como uma planta. O que torna os humanos distintos dessa definição de vida biológica é justamente nossa capacidade de entender a realidade e reagir a isso de forma intencional e objetiva. Falar em assassinato até o segundo mês de gestação, na minha opinião, é forçar muito a barra para uma visão extremista e embaçada que a religião tem sobre o mundo. O aborto até esse período seria apenas o término de um organismo em funcionamento, que não reage à realidade e ainda não captura a dinâmica que o envolve. Tudo bem, é uma visão e fria e existe muita coisa por trás disso, eu sei. Além dessa visão fria existe toda a situação que se constroem no mundo fora do útero da gestante. O significado que se atribui à formulação de uma vida dentro de uma pessoa, etc. Por esses fatores o acompanhamento psicológico da gestante e dos envolvidos na história é necessário. Mas na visão do Dom Pateta (Dedé) e de outros zumbis da igreja o melhor seria uma menina de 9 anos passar por uma gestação de risco e, caso tudo desse certo (remotíssima possibilidade), dar a luz aos gêmeos de seu padrasto. E, obviamente, na cabeça desses ignóbeis, esses gêmeos seriam criados num ambiente de amor e conforto com direito a toda infra-estrutura que uma criança merece. Aham... É assim que o mundo funciona.

Bom, vamos partir para o segundo tema da semana: o jornalzinho do Vaticano. Título do artigo? "A Máquina de lavar e a liberação das mulheres --ponha detergente, feche a tampa e relaxe". Genial. O artigo defende que a máquina de lavar fez mais pela liberação das mulheres do que qualquer outra coisa. Claro, as mulheres terem espaço no mercado de trabalho não significou nada mesmo. Muito menos a pílula contraceptiva, que evita gravidez indesejada. Pra entender essa colocação brilhante do vaticano me pus a pensar. A única forma de esse pensamento fazer sentido é se tomarmos como base o princípio de que a função natural da mulher, pela vontade de Deus, é de ficar em casa cumprindo suas tarefas do lar. Dessa forma, sim, a máquina de lavar foi uma grande ajuda às mulheres.

Mas se nós quisermos realmente usar os nossos cérebros, logo perceberemos que mulheres não foram criadas para ficar enfurnadas em cozinhas e faxinas de banheiros. Aliás, de acordo com o que acredito, não fomos criados para nada, não há propósito na criação. Existe apenas o significado que nós mesmos atribuímos à nossa realidade. Dessa forma, qualquer ser é livre para traçar qualquer caminho para sua vida, construir sua própria realidade. Já a igreja parece acreditar em um plano restrito de obediência e retidão cega miradas no além. Ou seja: viva, obedeça e morra esperando que vai ter algo depois. Deus quer assim. Então, mulheres, acordem! Não vivam acreditando em servidão e cegueira da mente (a não ser que queiram pegar uma cerveja bem gelada pra gente ali na geladeira e fritar uma calabresa pra gente petiscar... hahahah brincadeira). Aliás, não só mulheres, todos os seres humanos lendo isso! Usem vossos cérebros, repudiem uma visão torta e distorcida da sua própria realidade. Vivam por si mesmos, criem uma vida construtiva para si e para todos ao seu redor!

E para fechar gostaria de dar meus pêsames aos que ainda acreditam numa doutrina quase fascista que são as religiões cristãs. Para os que não acreditam, eu os concedo meus sinceros cumprimentos e me gratifico em saber que ainda existem mentes pensantes no mundo.


Danda.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Densidade infinita


Banda composta por John Green (Keyboards, Vocals), Jamie McGregor (Drums, Vocals), Scott Cleland (Guitars, Vocals, Cello) e Jonathan Patch (Bass, Vocals, Flute). O som de Singularity não é nada fora do comum, mas as composições são finas e bem estruturadas. Riffs e teclados nada exagerados que conseguem se adequar ao vocal de Green. Engraçado que os efeitos dos teclados lembram Fruitcake e Izz, duas ótimas bandas de prog. O baixo de Patch não é estilo Geddy Lee mas tem presença. Uma banda de prog, e congêneres, fica mais interessante quando o baixo faz parte da composição e não um mero bumbo despercebido.

Sobre o cd Of All The Mysteries, a primeira e última músicas são as que preenchem o disco. Dois temas pegajosos e bem executados. As músicas intermediárias são leves e com letras melosas. Uma novidade nova e inédita que agradará qualquer um que goste do gênero.

Site

Link para Download: Of All The Mysteries
ou
Link para Download: Of All The Mysteries

Rodolfo

sábado, 3 de janeiro de 2009

Destilado e límpido


Este álbum é de cabeçeira desde meus 15 anos. O fato é que ele é bom demais! Escutei sem saber quem tocava e, logo depois, fui atrás de cada um dos músicos, em especial, do saxofonista e do guitarrista. O quarteto é feito de Paul Desmond (alto sax), Ed Bickert (guitarra), Ron Carter (baixo) e Connie Kay (bateria). Desmond e Bickert são top 3 nos instrumentos, obviamente dentro do jazz. Talvez Jim Hall e Zoot Sims corram paralelamente.
Em todo caso, o sax é espetacular. Dizia um professor que tocar devagar é mais difícil do que tocar rápido. Em alta velocidade pegue qualquer maníaco por escalas e afobado que conseguirá tocar muita coisa. O que se trata aqui é de escolher cada nota com espaço dentro da música, com o seu lugar complementando o todo. Analogamente a David Gilmour, Neil Peart; muitas vezes negligenciando a capacidade técnica que, no fim das contas, é prescindível. Desmond toca de maneira singela e sem pressa composições renomadas e seu improviso é completamente diferente das fases malucas de John Coltrane. No plano guitarrístico o canadense Ed Bickert desenvolve a mesma pegada e paciência. Além dos solos primordialmente tocados, a base feita para o sax é algo incrível. Outro destaque, só que mais facilmente notado, são as intro na medida certa, sem escapar do tema original. O baixista Ron Carter tem um carreira admirável e nesta gravação não fez nada feio. Muito pelo contrário. O baixo é muito presente no melhor estilo walking bass que se pode ter. O baterista não é tão conhecido quanto os últimos três mas sem dúvida não foi escolhido a toa. Connie acompanha de perto o trio.
Além de ótimos músicos, a escolha das músicas é ponto chave. As duas primeiras aquecem muito bem o ouvinte, tanto pela familiaridade quanto pelo timbre introduzido pelo grupo. Aliás, naquela idade fiquei aficcionado com o jeito de tocar de Ed que fazendo a caça rotineira pela internet achei uma partitura de I'm Old Fashioned. Colocarei um link para quem achar interessante e manjar um pouquinho de guitarra. Na sequência, as faixas alternam temas agitados e bem lentos. O cd fecha com chave de ouro. Wave é tocada de maneira muito peculiar que dá vontade até de colocar no repeat. Como dizem por aí: ALTAMENTE RECOMENDADO!

Link para Download: Pure Desmond
ou
Link para Download: Pure Desmond

Guitar solo: I'm Old Fashioned

Rodolfo





terça-feira, 2 de dezembro de 2008

G ou colóide



Esta banda se encaixa perfeitamente na postagem anterior. O motivo de não tê-lo postado é o esquecimento, assim como o sol da banda. Piada muito ruim essa. Bem, no site da banda aparece o seguinte: "Oblivion Sun features the compositional and performance skills of five musicians who are at ease with complex musical structures as well as frequent improvisations. The band members are Stan Whitaker on guitar and vocals, Frank Wyatt on keyboards and sax, Bill Plummer on keyboards, Chris Mack on drums, and Dave DeMarco on bass. Oblivion Sun creates a powerful, dynamic sound that aims to satisfy fans of all music. The band ignores the boundaries that the conventional music industry uses to limit the creative spirit. This freedom is evident in every performance".
Frack e Whitaker eram membros do Happy The Man e recentemente, antes do Oblivion Sun de 2007, lançaram um cd como um projeto chamado Pedal Giant Animals depois de frustradas tentativas de reunirem a antiga banda.

Um som embasado em técnica mas gostoso de se escutar. A primeira música é caprichada e abre o disco dando uma prévia do que será o restante. Apenas a The Ride e Catwalk são cantadas e muito bem cantadas. Sendo a segunda um tanto melhor. O resto é instrumental e rechado de riffs. Frank pega no sax algumas vezes e dá um ar meio aleatório nas músicas. Os solos em geral têm aquele jeitão de improviso. A música Chapter 7.1 remete ao cd do Pedal no qual copia o riff, pegajoso por sinal, da Chapter Seven. Enfim, vale a pena conferir!

Site

Link para Download: Oblivion Sun
ou

Link para Download:
Oblivion Sun

sábado, 29 de novembro de 2008

Post Eclético

Hoje criamos um post eclético, com várias bandas de diferentes estilos e nacionalidades. O ponto comum dessas bandas é ter, em seu histórico, apenas um disco lançado recentemente. Obviamente, são bandas selecionadas a dedo, pelo nosso disck joker, Rodolfo, hehehe, e que expõem, em suas obras, uma qualidade musical elevadíssima. Esperamos que gostem.



Zaal - La Lama Sottile - 2004 - Itália

Entre competência e apurado senso de melodia começamos pela banda italiana Zaal. Um álbum, datado de 2004, bem peculiar e que apresenta elementos variados de construção musical. Entre elementos do rock, jazz e música clássica, as faixas apresentadas no disco intitulado La Lama Scottile constituem uma obra bem completa. O uso parcimonioso dos teclados, violinos e a pegada jazzística na bateria ditam a tônica do disco. As músicas são todas instrumentais e apresentam variações e arranjos característicos do rock progressivo, o que faz desse disco uma obra necessária na coleção dos amantes da boa música.


Link para Download: La Lama Sottile




The Thrid Ending - 2006 - Austrália



A seguir temos The Third Ending, homônimo lançado em 2006. Banda australiana com uma pegada mais rock apre
sentando elementos do progressivo, folk e space rock apresenta uma atmosfera ampla de musicalidade. Variando entre calmarias ditadas pelas cordas de um violão e pegadas fortes de bateria com guitarristas distorcidas o álbum é a dose certa de combinações antagônicas. A produção do disco é muito boa e a timbragem usada casa muito bem com o estilo da banda. O vocal consegue entregar as melodias na medida certa de forma muito competente. Ótima recomendação para quem curte aquela pegada mais forte permeada por belas melodias e violões acertados.

Link para Donwload: The Thrid Ending




Apple Pie - Crossroad - 2007 - Rússia

A próxima banda anda sendo uma das minhas favoritas nas listas diárias do Media Player. De nacionalidade russa, tendo lançado o ótimo disco Crossroad, a banda Apple Pie é um grande expoente de impecabilidade musical. Um álbum bastante eclético em si, trás elementos do metal, folk, e do bom e velho rock’n roll. Um disco de produção impecável, arranjos excelentes e ótimos instrumentistas que não pode faltar pra nenhum amante da boa música. As melodias do disco são excelentes, e as partes instrumentais são fenomenais. O vocalista interpreta, de maneira excepcional, as belas melodias e temas criados ao longo do disco. Destaque especial para os arranjos de teclado, que permeiam de forma genial toda a obra. Disco nota 10, certamente entre os nossos favoritos

Link para Donwload: Crossroad



Santarem - Downtown Sation - 2004 - Brasil

Dentre as bandas de hoje não poderia faltar um representante brasileiro. E para fazer parte desse line-up de grandes bandas não poderia ser qualquer coisa, deveria ser uma banda de qualidade inquestionável com uma obra só obra lançada que conseguisse demonstrar o potencial de seus integrantes. Estamos falando do Santarém, banda paulista de rock/metal. O disco em questão é o Downtown Station, que conta com um excelente time de músicos. A banda não passa vergonha diante de seus “concorrentes” gringos. O disco tem uma produção impecável e arranjos feitos com maestria. São músicas que combinam doses de rock’n roll com elementos pontuais do metal, tendenciando prum lado mais calmo e de doses acertadas de pegada e belas melodias. As linhas de guitarras são muito bem construídas e saem do feijão com arroz da maioria das bandas brasileiras que se arriscam nesse estilo. Os solos são simples, porém coerentes e acertados. O vocal é muito bom e possui caráter próprio, uma pena terem mudado o vocalista. O time de músicos foi mudado para o lançado do próximo disco, que está pra sair a qualquer momento, com certeza vem coisa boa por aí.

Link para Download: Downtown Station



Dynamic Lights - Shape - 2005 - Itália


Dentre as bandas de hoje a que será apresentada a seguir é a que possui inclinação mais acentuada para um estilo musical. Dynamic Lights é uma banda italiana que flerta fortemente com o metal, apesar de conter vários elementos do progressivo. Guitarras pesadas, tempos quebrados, pianos e um vocal agressivo e sofrido criam uma atmosfera bem única no disco Shape. O clima sombrio é magistralmente criado por excelentes músicos, de qualidade técnica inquestionável. As letras, assim como os arranjos, são excelentes e combinam bem com cada faixa. Cada músico dá um show a parte, e o meu favorito é o piano/teclado, que está presente, mesmo que sutilmente, em cada passagem/refrão. Muito bom disco e recomendado aos amantes do metal progressivo.

Link para Download: Shape


Aisles - The Yearning - 2005 - Chile

Por último, mas não menos importante, está a banda chilena Aisles. Sem dúvida uma das nossas grandes favoritas de todos os tempos. Com o disco The Yearning é uma banda que impõe respeito enorme aos que cultuam a boa música. Certamente um dos discos da galeria das grandes obras de progressivo. Timbres, arranjos e quebradas que lembram, em muitas horas, grandes bandas como Gênesis e Triumvirat. Uma obra completa e muito bem produzida, contando com grandes teclados, um ótimo vocal, uma bateria excepcional e arranjos de guitarra e violão que trazem toda a mágica da escola do rock progressivo clássico. Uma banda para fechar esse post com chave de ouro.

Link para Download: The Yearning


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Penguin Cafe




Este post se concentra em Simon Jeffes (1949-1997). Multi-intrumentalista e um estudioso até certo ponto. No meio de sua carreira acadêmica abandonou os estudos, num sentido formal, e se engajou em uma série de experiências. Depois de várias tentativas frustradas, porém enriquecedoras, Jeffes formou a então Penguin Cafe Orchestra (PCO). A origem do nome é curiosa. Em 1972, Simon estava na África e comeu algum peixe que o deixou doente a ponto de sofrer alucinações. E é aí que entra o tal do cafe. Ele alucinou sobre um lugar onde haviam pessoas preocupadas somente consigo mesmo de maneira vazia e se realizou dono do lugar quando anunciou um poema, pra si mesmo, quando já estava melhor, que começava com "eu sou o proprietário do Penguin Cafe e direi coisas randômicas". Deste então, com o passar do tempo, imaginava os tipos de músicas que tocariam no cafe. Dois anos se passaram até sair o primeiro álbum do PCO. A banda, com uns dez membros, mudava periodicamente, com exceção de algum ou outro. Dizia que fazia músicas para pessoas e não para instrumentos. No começo dos anos 90 passou até pelo Peter Gabriel's Real World Studios (vale a pena conferir as fotos) para tocar com vários músicos em jams e congêneres. Em 1994, foi gravado ao vivo o Concert Program e lançado em 1995. É um disco muito bonito que consegue tirar o tédio de uma peça clássica e caminhar por vários temas sem excluir o peso de uma boa orquestração. Em Dezembro de 1997, um tumor inoperável decretou a morte de Simon Jeffes.

Site

Link para Download : Concert Program
ou
Link para Download : Concert Program

terça-feira, 4 de novembro de 2008

United Elections

O assunto hoje não poderia ser outro além das eleições norte-americanas. O fusuê é grande acerca da temática, e não é pra menos. A nação que dita o regime internacional estabelecido está ansiosa pelo que vem pela frente. Mas pq há tantos holofotes em cima disso?

 

A grande questão é essa eleição vai dar rumo definitivo a várias políticas e diretrizes adotas nos últimos 8 anos, na desastrosa administração Bush. Os EUA, principalmente por culpa de seu governante Bush,  transformaram um ambiente internacional, relativamente calmo, em um pan-demônio. Todas as grandes instabilidades dos últimos anos envolveram decisões do caipira texano. Guerra contra o terrorismo, Iraque, crise da Geórgia com a Rússia, investigações sobre o poder nuclear do Iran, crise na Venezuela, acusações de tortura com prisioneiros de guerra e, por último, a crise financeira. Cada uma dessas situações afastou os EUA pruma berlinda moral no cenário global. Ninguém mais leva a sério qualquer atitude vinda do alto comando norte-americano. O serviço de inteligência de lá virou motivo de piada. A irresponsabilidade com direitos humanos, a falta de respeito com questões de soberania de outras nações e clara demonstração de incompetência com a crise do setor financeiro os afastaram completamente do escopo de seriedade no regime internacional. Porém, as redes (comunicação, informação, comercial, conhecimento, tecnologia) estabelecidas ainda delatam os EUA como peça chave na dinâmica internacional. E é por isso que as eleições de hoje são tão importantes. Cabe ao novo presidente estabelecer bases para se estruturar novamente um comando norte-americano sob o globo. Cabe ao novo governo ganhar respeito e seriedade novamente.

 

Os EUA estão dividos entre a campanha pra mudança (Obama) e a campanha pautada na experiência (McCain). A disputa entre os dois candidatos foi muito acirrada, e muito impressionante, sob meu ponto de vista. Obama recorreu ao financiamento privado de sua campanha, apostou em grandes comícios, shows e meios de comunicação, além de ser claramente o candidato preferido de populações fora dos EUA. Aqui no Brasil mesmo pudemos ver o apoio claro dos meios de mídia ao candidato democrata. Mas mesmo assim McCain conseguiu se manter no páreo até a reta final, ficando sempre perto nos índices das pesquisas de opinião. E me impressiona saber que existe tanta gente querendo a continuidade do partido republicano no poder.

 

Pra quem assistiu aos debates pôde observar que McCain sempre frisou que seu governo não poderia ser atrelado ao de Bush, pois são duas pessoas diferentes. Suas políticas iriam se basear na sua experiência de parlamento e no seu histórico impecável e coerente de decisões e votos dentro do plenário. Mas nessas afirmações já podemos observar o claro pensamento republicano, de retidão, disciplina e coerência. Valores não ruins necessariamente, mas que nesse momento é tudo que o povo não precisa. Toda essa certeza e retidão fizeram o país pisar na merda e enfiar o outro pé com gosto.

 

Do outro lado temos Obama, representante democrata. Entre as trocas de farpas em forma de brincadeiras entre os partidos é bem conhecida a história de “vc não precisa ser coerente o tempo inteiro, basta ser democrata”. Obama, apesar de sempre parecer seguro si e certo do que fala, tem suas incoerências no passado, e teve de se adaptar a uma nova postura para assumir essa liderança. Obama foi mais flexível e abusou do espetáculo para conseguir superar a barreira racial que permeia a sociedade norte-americana. Só pra se ter uma noção, na semana passada Obama comprou meia hora de transmissão simultânea em 3 canais norte americanos: FOX, CBS e NBC. E vale ressaltar que a FOX é uma emissora declaradamente republicana. Esse “infomercial” deve ter custado em torno de 5 milhões de dólares.

 

Agora o futuro reside nas mãos de quem ganhar o caneco da corrida eleitoral. Acredito que Obama vá ganhar, e pelos índices de hoje minha opinião, e de outras milhares de pessoas, está certa. As políticas de Obama envolvem corte de imposto para classe média e aumento para a classe rica, o que, na minha avaliação é correto, pois tira carga tributária da classe média, incentivando o consumo e passa isso pras grandes corporações. McCain diz que isso vai desestimular a produção, mas acredito que seria estupidez. Se a empresa for esperta ela irá tirar parte do seu lucro pra compensar o aumento tributário, e o repasse do governo pra classe média aumenta o consumo, que por sua vez, compensa a perda de lucro das grandes empresas. Essa será uma estratégia importante nesse novo governo, ainda mais levando em conta a gigantesca dívida interna privada e pública dos EUA. O Fed anda emitindo título público que nem nota de 1 dólar, e isso só vem aumento o déficit público, e a solução é a reforma tributária. Outra medida importante é diminuir gastos do governo, principalmente com essa guerra sem sentido. Os pacotes aprovados no parlamento pra guerra deram um desfalque monumental de aproximadamente 3 trilhões. Ambos candidatos apóiam corte de custos, mas cada um vai procurar isso num lugar. Obama quer dar fim à guerra, mas n imediatamente. McCain se deixar vai invadindo Iran, Afeganistão...

 

No final das contas tudo que posso fazer é ficar aqui torcendo pelo Obama, pois apesar de não concordar com tudo que ele prega, a vitória do McCain seria o colpaso desse regime internacional, e isso seria uma coisa boa se tivesse alguém que pudesse estabelecer um novo paradigma digno, mas as perspectivas não são nenhum pouco boas.

 

Danda

domingo, 26 de outubro de 2008

Rádio de Darwin



Tá aí uma banda inglesa de prog difícil de se ver nas praças. E não é só pelo fato de ser pouco conhecida, mas sim de ser um ótimo conjunto. Fazem um som progressivo bem feito em que talvez as letras seja um ponto não tão forte. O quarteto é composto por Dec Burke (guitarra), Sean Spear (baixo), Mark Westworth (teclados) e Tim Churchman (bateria). A banda se diz fã de Dream Theater, Porcupine Tree, The Flower Kings, Yes, Spock's Beard etc, ou seja, coisa boa! Apesar de ser o primeiro album não deixa a desejar. Eye's Of The World, lançado em 2006, tem uma atmosfera recheada de teclados e riffs melhores ainda. A voz de Burke compõe muito bem o estilo da banda. Os teclados são encaixados maestralmente com timbre limpo, o que ambienta muito bem as passagens e dá um certo clima.
Com relação as músicas, só merece um destaque negativo a faixa Glass Tiger's Eye que é um tanto pop, lembrando um pouco a manobra feita por Spock's Beard com o álbum Octane. Não que seja ruim, mas saiu um pouco de órbita com a proposta do cd. Outro destaque, só que positivo, são as Lapse of Sensation e The Vast Within. As duas possuem uma levada interessante. E ainda tem uma baladinha com Amber Skies, que achei um tanto sem sal, porém bonita e seguindo a linha do cd.
No geral, algo a se ter em qualquer coleção de progressivo e que bate de frente com bandas de maior renome.

Site da Banda

Link para Download: Darwin's Radio

Link Alternativo: part 1 part 2


Rodolfo

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Trio muito FODA!


Agora sim uma banda brasileira postada aqui no blog. Ainda é instrumental, porém quem quiser ouvir vozes some ao trio o João Bosco. O título deste post resume tudo da banda Nosso Trio e serei breve na descrição. Nelson Faria tem 45 anos e o considero um dos melhores guitarristas do Brasil. Já o vi tocar ao vivo e é impecável. E além de impecável consegue criar uma atmosfera pra cada estilo de música tocada. O que pode ser espantoso pra quem tem tanta técnica. Viveu muito tempo em Brasília, estudou nas melhores escolas americanas e teve aula com os mais renomados como Joe Diorio, Scott Henderson, Joe Pass e outros tantos. E além disso tudo já tocou em um catatau de lugares e com um catatau de gente famosa no Brasil e no mundo. O mesmo pode se falar do baixista Nico Assumpção e o baterista Kiko Freitas. Ambos estudaram e tocam demais.

Tudo bem que no planeta Terra o que mais tem é gente tocando e, mais espantoso ainda, tocando muito rápido. Tão rápido que devem estar na esperança de atingir a velocidade do Large Hadron Collider, o acelerador de partículas do Centro Europeu de Física de Partículas. Só que isso me faz lembrar as palavras de um violonista brasileiro Nonato Luiz - muito bom, por sinal - que disse mais ou mesno assim: "não interessa tocar rápido, som limpo, as músicas dos outros... O que fica é a obra". O que concordo desde a infância com ele.

Site dos Músicos:
Nelson Faria
Kiko Freitas
Nico Assumpção

Link para download: Vento Bravo

Rodolfo

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Quantificação dos Sentimentos

Acho que quase todos os posts deste blog já foram ou serão conversa de bar. E esse não será diferente. Penso há algum tempo sobre como colocar em palavras alguns sentimentos tais como amizade, amor, admiração, etc. A minha conclusão é que não dá. Não adianta falar isso ou aquilo. Os sentimentos têm um tratamento clássico, ou seja, não podem ser quantificados por palavras de dicionário, estão no contínuo. O meu pensamento é que mesmo se falarmos ‘eu te amo’ estaremos definindo algum estágio para se amar, ou gostar, ou adorar. E então, qual é? A partir de qual momento passamos a adorar, a gostar? E por aí vai quem for catar outros adjetivos. A partir de qual experiência temos certeza que naquele momento se estabeleceu uma amizade, por exemplo? Isto é, já vivenciamos tudo nesta vida? Se podemos falar ‘te amo’, seria esse o estágio mais avançado de falar se gostamos de alguém? Se for sim, então existe uma cota superior, o que caracterizaria uma quantificação.
As palavras quando se referem a sentimentos são vazias, perdem sentido. Muito bem, mas temos que nos comunicar. É assim que acontece. As palavras incitam, por sua vez, sentimentos e o que estou querendo dizer perde um pouco o sentido. Não tanto assim. Requer contexto sempre, não posso negar. O que trato aqui é de transmissão, canal, e nunca poderemos dizer que amamos alguém da mesma forma como amamos outrem, apesar de as palavras serem as mesmas – sempre num sentido lato, pois poderia falar de raiva, ódio, ira. Concordo que, por exemplo, uma pessoa irada pode ser uma com mais ódio do que raiva e assim por diante. Mas onde há essa distinção? Qual é a linha que os separa? Tal linha não existe. Às vezes devemos nos preocupar menos com esses tipos de palavras e prestar atenção em algo com mais conteúdo. Talvez isso tudo seja uma visão bastante particular, mas é uma visão.

Rodolfo

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Silêncio Póstumo

Bem, Sylvan é uma banda alemã de rock progressivo, pelo menos é o que este álbum contempla. Deixo as minúcias de caracterização para o ouvinte. Uma apresentação se faz mister, porém de forma lacônica só pra situar algum leitor destemido que por ventura se interesse em ler o texto inteiro. A banda é composta por Marco Glühmann (vocais), Matthias Harder (bateria), Sebastian Harnack (baixo), Jan Petersen (guitarra) e Volker Söhl (teclados). Este disco ainda conta com participações de Stefanie Richter (cello), Guido Bungenstock (guitarra), Ensemble Vokalkolorit (choir). Vale um comentário que Marco tem doutorado em física, aparentemente pela University of Tübingen e, claro, interpreta muito bem. Quando escuto o cd eu lembro de Final Cut do Pink Floyd, em que Waters consegue passar, quase sozinho, todo o drama. Guardem as suas devidas proporções, obviamente. Well, well... Vamos a temática.

Construir uma obra musical conceitual, como é o caso deste disco, é uma tarefa bastante árdua e que deve resistir a uma cobrança enorme do público. Os fãs mais nostálgicos desse tipo de empreitada artística dirão que obras do rock progressivo clássico ocupam o Olimpio e não podem ser alcançadas por nenhuma banda com uma obra mais atual. A dúvida é: será que o Sylvan conseguiu entrar pra galeria seleta de grandes obras conceituais?

Bom, o disco começa bem com uma introdução modesta e faz bem seu papel de pintar o cenário da história. O clima sombrio está criado nos primeiros suspiros de Marco, onde podemos visualizar alguém aparentemente deprimido e sozinho num quarto, onde vaga na sua plena solidão, aparentemente sentindo falta de alguém. Porém, erra quem se adianta em dizer que foi um caso amoroso que não deu certo. Na segunda estrofe percebemos a indagação “why you left, my child?”. Tal indagação, se bem interpretada, esclarece as figuras da história. Agora sabemos que o rapaz que vaga só é um pai que, aparentemente, perdeu uma filha.

A história vai girar basicamente em cima da jornada do pai tentando superar o trágico “suicídio” de sua filha. Por essa jornada conseguimos ver os vários estágios que passou a pequena garota que abandonou este mundo. A história e as melodias conseguem elucidar o mundo angustiante da garotinha que se foi.

Bom, para isso devemos dar seqüência à análise, partindo para a segunda música, “In Chains”, que é a leitura do diário da pequena garota angustiada com esse mundo. Essa música traz temas às vezes estranhos aos ouvidos, mas contém belas melodias. As partes mais “atravessadas” melodicamente remontam a angústia que vivia a garotinha, que se sentia presa num mundo onde ela não podia confiar em ninguém, e suas confissões demonstram a sua dificuldade de reproduzir verbalmente suas dúvidas e sentimentos. A tentativa de normatizar seus sentimentos a tormentava. As confissões de sua aflição vão sendo feitas ao seu diário onde há também a aspiração de se encontrar um lugar melhor a se viver. E é exatamente nessa parte da música que podemos encontrar um ótimo solo de teclado e guitarra por volta dos 4 a 5 minutos, bem simples, porém bem eloqüentes em expressar a bela letra da música.

A música seguinte, Bitter Symphony serve como o gancho para a Pane of Truth. Nessa parte o pai se deita após ler o diário de sua filha e sente a culpa lhe consumir. Indaga-se de como não percebeu os anseios de sua própria filha. A música Pane of Truth é uma que merece destaque certo nesse disco. É uma obra de 9 minutos, que trabalha vários climas diferentes na viagem de consciência do pai da garotinha. Enquanto é reproduzida na mente do pai, a história dele com a filha, a música trata de montar o cenário ideal, que conta com um refrão lindíssimo. A remontagem da história dos dois conta até com trechos de reprodução de brigas dentro de casa, por volta dos 3 minutos, onde podemos ouvir a filha apanhando e também se trancando no quarto enquanto seu pai bate na porta após uma briga. O clima é montado com maestria, a produção musical é invejável.

A música seguinte, No Earthly Reason, é outra ponte que se liga à música seguinte, Forgotton Virtue. Aqui é contado como era o dia a dia da garotinha. Forgotton Virtue também é uma música que conta com melodias meio atravessadas, mas consegue colocar a história no lugar certo. O clima sombrio e pouco amigável remonta o desgosto da garotinha lidando com o mundo. A situação que o mundo cria na garotinha é de desolação, ela perde a fé na humanidade, não consegue entender como as pessoas se conformam com um mundo sem virtudes e valores.

A música seguinte é, em minha opinião, a obra mais bela do disco. Uma canção linda, com uma inigualável melodia, The Colors Changed. Essa música marca o desejo da garotinha de construir um novo mundo, cheio de cores. O desejo é tão profundo e tão sincero que ela começa a construir esse mundo com a sua alma. O rito de passagem começa aos 3 minutos da música e constrói uma atmosfera majestosa que atinge um pico magnífico aos 4 minutos e culmina no belo refrão. Na seqüência um solo, simples e direto, que encerra com maestria a música.

A Sad Sympathy é outra ponte que se liga à excelente peça de progressivo, Questions. A ponte nos coloca em meio às noites mal dormidas do pai, que visualiza um desenho feito pela filha para ilustrar as manhãs de seus dias. O pai entende os desenhos da forma descrita na música Questions, que é uma dura crítica à sociedade. A música coloca o mundo como um lugar egoísta, onde as pessoas ouvem apenas o que querem, fazem apenas o que lhes convém e correm pelos becos escuros como se isso fosse normal. A menina se mostra angustiada de se tornar parte dessa massa inexpressiva e se questiona de como a sociedade pode moldá-la e tornar parte daquilo que ela abomina. A parte instrumental dessa música é uma das mais bem trabalhadas do disco. Conta com um excelente trabalho de teclado e riffs muito bem pensados, além de um refrão muito bem colocado.

A música seguinte, Answer to Life, se mostra imponente já pelo seu começo que dá o tom de uma marcha militar bem orquestrada. Essa música conta com uma melodia simples, mas que marcam bem o ouvinte. O refrão conta com uma segunda voz mais alta que foi colocada na medida exata, criando um clima eficaz sobre uma melodia simples. Em relação à trama da história a música relata a forma que a garotinha lidava com sua vida. Essa música parece ser uma mensagem específica ao pai, quando ao final da canção ela fala sobre ter se decepcionado e que isso deveria ter sido melhor pensado por ele, mas que agora é tarde, pois ela não mais existe.

Message from the Past reproduzi alguns dos temas usados em outras músicas do mesmo disco. É uma canção serena, com um leve piano e uma cama por trás de muito bom gosto. Apesar de ter 3 minutos de duração ela serve mais como uma transição na trama. A esse ponto na história temos o último encontro da alma do pai com a filha. The Last Embrace trás melodias um tanto quanto incomuns, nesse ponto são as preces da garotinha que embarca sua alma pra outro lugar. É o ponto de encruzilhada de sua alma. Em minha opinião uma música sem grandes atrativos, mas que serve pra compor a trama.

A seguir a dupla final de canções, A Kind of Eden e Posthumous Silence. A penúltima música se encarrega de acalmar o clima pesado da música anterior. Finalmente a garota encontra paz em outro mundo e pede para que seu pai a deixe ir. Uma belíssima música conta com bastante simplicidade, mas com competência em seus arranjos. O refrão é uma ótima reprodução da trama, onde as últimas mensagens direcionadas ao pai são ecoadas com bastante emoção. Ao final desta canção conseguimos ouvir trechos de notícias que relatam o momento em que a polícia acha o corpo da garota em meio a lixeiras em um estacionamento, mas sem sinais de trauma. A polícia não faz idéia do que houve com a garota.

Essa parte traz um toque de mistério à história. Sem causas aparentes a morte da garota ecoa como algo sobrenatural. As interpretações a partir desse ponto são escravas da criatividade de cada um. Em um consenso entre amigos chegamos à conclusão de que a alma da garota apenas desvaneceu. Sua tristeza e decepção com o mundo eram tão grandes que sua vida apenas cessou. Enquanto isso sua alma achou um lugar melhor para ocupar em outro plano de existência.

A seguir o grand finale. A música título do disco fecha a jornada com perfeição. Uma obra grandiosa com um arranjo espetacular monta uma cena parecida com a primeira do disco: o pai, enclausurado em seu quarto, sente o abandono da filha. Mas finalmente ele a liberta para seguir livre, vagando em seu mundo colorido, sem egoísmo, sem falsidade e sem cobranças. O vocal faz um excelente trabalho dramático nessa canção. A culpa consome o pai da garota enquanto a guitarra faz um brilhante solo, porém bem simples.

Dessa forma é fechado um excelente e magnífico trabalho de uma banda com muito potencial. É uma obra, que se escutada com atenção, dá voz aos mais profundos desesperos e anseios da alma, ressalta nuances de sentimentos guardados ao fundo do ser. São seqüências de notas majestosamente montadas. Um disco intenso e com bastante consistência.

Respondo à pergunta inicial de forma positiva. Acredito sim que o Sylvan tenha se colocado ao lado de grandes obras do rock progressivo clássico com esse disco, se não foi no Olimpio foi no Éden. Os links abaixo estão com letras e em 320kbps. Divirtam-se.



Site da banda


Link para Download: part1 e part2


Link alternativo: Sylvan







quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Hipocrisia economicamente correta.


Amanhã às 09h08min da manhã, horário de Brasília, será a festa de abertura dos jogos olímpicos da China. A festança será um evento memorável, cheio de fogos, luzes, apresentações culturais, etc. Todo o aparato de distração costumeiro a esses eventos. Porém, com a chegada dessa festividade não pude parar de perceber um “detalhe” interessante sobre a dinâmica mundial de relação entre Estados. Falo especificamente da relação China – Estados Unidos.


O presidente Bush esteve em Pequim ontem para inaugurar uma embaixada norte-americana. E a constante em seu discurso foi a de sempre: enfatizar sua preocupação com a falta de liberdade de expressão do povo chinês e a ausência de trabalhos humanitários no país. George W. Bush enfatizando sua preocupação com Direitos Humanos na China... Fato curioso, porém não vai ser o foco da discussão. Pois o que mais me intriga é que mesmo a realidade da China sendo fato de conhecimento de todos que habitam o globo terrestre os EUA não tomam nenhum tipo de reação ou retaliação a fim de alterar tal realidade. O discurso de Bush foi apenas um discurso, carente de parte prática efetiva de ação. A China é um país declaradamente comunista, e sabem qual era um grande país comunista? A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Lembram qual era a relação entre EUA e URSS? Algo que “apelidaram” de Guerra Fria.


Obviamente existe algo de estranho aí no meio. O discurso norte-americano associava o regime comunista à vinda de Satã pra Terra. As criancinhas nascidas nesse período em território norte-americano não ouviam histórias de bicho papão, nem do bandido do saco, apenas do grande vilão do mundo, o comunismo. Era um terror. Mas se o comunismo era o vilão, e agora ele não é mais, o que houve?

Acho que teria algo a ver com o regime econômico da China... Talvez seja pq a China seja um dos maiores parceiros comerciais dos EUA. Talvez seja pq o maior importador de produtos chineses seja os EUA, e que a China seja a principal credora dos títulos da dívida pública dos EUA. Acho que a economia planificada da URSS não era boa o suficiente pros EUA relevarem seu regime comunista como apenas um desvio padrão do comportamento de uma nação, da mesma forma como fazem com a China.

Entraram no Iraque por “medo de armas de destruição em massa” mas nunca cogitaram de sequer ameaçar a China. A hipocrisia reina absoluta, e todo mundo sabe da verdade. Todo mundo sabe e todo mundo finge não saber. Fica aquela panaca caipira do Texas fazendo o que bem entende do mundo e dos EUA até o ponto em que tudo vira uma bola de neve fora de controle. Aliás, a grande ilusão do homem é achar que pode controlar qualquer coisa.


Enfim, a situação que se constrói é a mesma de sempre, o teatro da hipocrisia geral. E ainda devemos agüentar aqueles que levantam bandeiras liberalistas de crenças utópicas de que as nações cooperam pelo bem da convivência, de que o estado democrático de direito se sustenta na sua crença em valores humanos, blá, blá, blá... O estado democrático de direito faliu, e quem ta bancando ele é o capitalismo. A coordenação da dinâmica entre nações é feita pelo papai, o capitalismo, enquanto o filho irresponsável, o estado democrático, sai arrumando briga na rua e volta pra casa sempre com uma mão na frente e outra atrás.

“big money goes arround the world” E tenho dito.


Danda.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Audição profunda

Esbjörn Svensson Trio é um trio de jazz sueco formado no começo da década de 90 e composto por Esbjörn Svensson (piano), Magnus Öström (percussão) e Dan Berglund (baixo). De fato, a Suécia é um país de destaque em relação a música. Isso pra não falar de outros assuntos. Antes de algum leitor pensar que se trata de outra banda de jazz típica que segue as escolas de Miles Davis, Dave Brubeck, Charles Mingus e outros, aos poucos fica claro - e para isso será imprescindível uma audição - que esse trio traz algo de diferente.


Svensson começou a tocar piano porque era o único instrumento que possuía em casa quando era garoto. Na verdade, ele escolheria a bateria. Seu amigo Magnus catou uma bateria e ficavam se divertindo com os dois instrumentos. Não tinham instrutores, não freqüentavam aula de música e nem nada. Esse é um dos motivos que proporcionaram a banda explorar sons de maneira bastante particular.


O disco que posto aqui é o que considero o mais completo e, por isso, é o que mais me agrada. Além do Viaticum, Seven Days Of Falling, anterior àquele, tem um estilo parecido. O álbum posterior de estúdio, e o último da banda, tem uma sonoridade diferente e abusa de efeitos eletrônicos. Efeitos visuais também eram usados nos shows, sendo outro ponto de destaque dentre outras bandas do gênero.


A primeira música, Tide Of Trepidation, segue com um tema muito interessante resultado da soma do baixo e do piano. Ótima abertura. A música seguinte, Eighty-Eight Days In My Veins, e minha preferida do cd, tem um tema mais interessante ainda em que a união de piano e baixo é feita de forma menos intrincada e permite variações que se complementam. As outras faixas também são muito boas, como a música título do álbum. Somente a última de um pouco mais de 20 minutos e a In The Tail Of Her Eye merece um último comentário e ratifica a predileção do grupo de usar os efeitos sonoros durantes vários minutos, mas nunca deixando de lado a melodia que precede essa viagem, comandada pela percussão de Dan.


Esbjörn Svensson Trio fez muito sucesso na Europa e no resto do mundo e conquistou fama de grupo pop, popularizando ainda mais esse gênero tão esquecido por aqui, onde a acefalia musical permeia de maneira marcante. O grupo demonstra uma faceta da música instrumental das mais importantes: a imperceptível falta de vocais. Assim, a audição se torna bastante agradável e deixa de ser uma mera exibição de técnica.


Vocês devem ter percebido meu uso de verbos no passado. O motivo é a infeliz morte de Esbjörn Svensson no dia 16 de junho deste ano. Em um mergulho, o pianista acabou se perdendo do grupo e foi encontrado com graves ferimentos. Não resistiu a caminho do hospital.
Esse álbum é definitivamente aconselhado pra quem gosta de uma audição introspectiva em que sentimentos e lembranças surgem sem perceber mesmo na ausência de vozes e letras.


Site da banda


Link para download: Viaticum parte1 e Viaticum parte2


Link alternativo: Viaticum


Rodolfo



quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pesquisa científica

A pesquisa cientifica é a metodologia específica a ser aplicada sobre um conjunto de premissas e axiomas da realidade a fim de testar seu potencial explicativo de certos eventos. A pesquisa é importante para validar novos conhecimentos, consolidando teorias que tornam o padrão da realidade mais passível de entendimento. O início dos trabalhos de uma pesquisa científica se dá no momento que é constituído um problema, normalmente em forma de pergunta:

  • Pq a maçã caiu na minha cabeça?
  • Qual a importância do Mercosul nos negócios brasileiros com a Argentina?
  • Como os EUA influenciaram na revolução francesa?

A ciência, aos olhos dos autores clássicos, só pode ter sua existência dentro de premissas imparciais da verdade e da realidade. A distinção entre o agente e o objeto/estrutura pode ser construída de formas distintas, variando de autor para autor. Além de imparcialidade a teoria social, constituída a partir da pesquisa, deve ser passível de comprovação empírica. Então existem duas premissas básicas: objetividade e comprovação empírica.

Porém, nas ciências sociais a constituição de um problema de pesquisa está relacionada diretamente ao objetivo tendencioso do agente. Nas ciências naturais, a utilização de variáveis não correspondentes ao objeto estudado altera seu resultado, tornando a obtenção de uma equação explanatória sobre o evento impossível. Em termos práticos isso significa que se Newton tentasse aplicar variáveis ou constantes da Termodinâmica na relação gravitacional que causou a queda da maçã o resultado da equação seria absurdo, não explicando nada. Já na ciência social, o levantamento de variáveis, eventos, fatos e conhecimentos não é restrito senão à própria vontade do investigador. A imposição de premissas, tidas como verdadeiras, a uma problemática social a torna condicionada a tais premissas, ou seja, ao próprio formulador, condicionando sua existência à subjetividade do agente.

Porém, à frente desses autores clássicos se constituíram meta-teorias (teorias sobre teorias) que analisam a epistemologia aplicada dos tradicionalistas, em alguns casos até questionando a própria ontologia de tais pensadores. Esses questionamentos têm como base a subjetividade do próprio objeto, ou seja, a pesquisa não pode ser totalmente objetiva se o próprio objeto é normativo.

Adiante dessas interpretações se entende que a verdade sobre a realidade é sempre condicionada ao discurso dominante na sociedade. Esse discurso é exercido por inúmeras instituições, dentre elas, escolas, propagandas, mercado, governo, políticas externas, até pelo psicólogo que vc consulta uma vez por semana. Todos são braços de legitimação desse discurso sobre a verdade. O erro é pensar que é tudo proposital, que essas instituições são más e deliberadamente consolidam a versão da realidade mais conveniente. Na maioria das vezes a propagação do discurso é apenas uma atividade mecânica das pessoas. Logo é esse discurso que se torna a verdade dominante. Não existe verdade absoluta no campo das ciências sociais. A idéia de uma verdade transcendente se perdeu junto aos tradicionalistas.

Com isso o objetivo de uma pesquisa científica se desvirtua da proposta inicial dos autores clássicos. Insistir nas premissas clássicas de verdade absoluta e realidade imutável se torna apenas um instrumento de reforço da ordem social, já que não há o questionamento da própria verdade. A função da pesquisa social é reorganizar a realidade de forma mais conveniente a uma classe. A criação de premissas e axiomas sobre a realidade são formas de reforçar ou negar um discurso dominante, não mais de estabelecer conhecimentos mais próximos de uma verdade absoluta. A pesquisa científica se torna uma ferramenta de molde da realidade e da verdade.

Danda

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Avaliação economica

Mais uma vez nos encontramos imergidos numa crise do cenário mundial econômico. Os EUA vêm deixando todos em pânico a cada anúncio de medidas para o reaquecimento econômico. Não é de hoje que medidas “tapa buraco” vêm sendo aplicadas aleatoriamente dentro dos planos de medida de lá. Tampando o sol com a peneira deu no que deu.

Situação atual:

O capital especulativo que rondava e sustentava os contratos de crédito de alto risco no setor imobiliário tendenciou pro lado errado. Com isso os bancos tiveram que arcar com os débitos dos inadimplentes e foram à bancarrota. O Fed imediatamente teve que enxertar crédito no mercado para sustentar o giro econômico, além de diminuir os juros para aquecer as compras no mercado interno. O corte de juros, porém, trás certo prejuízo em investimentos, pois não fica tão interessante se aplicar dinheiro numa economia que n rende. Quem é o mais afetado com isso tudo? Pasmem! A China!

Os comedores de arroz detêm 1/3 das ações da dívida pública norte americana. Com isso se tem uma abrupta queda no rendimento do capital especulativo que ronda os títulos norte americanos. A China entrou em alerta, pois a reserva de crédito dela pode sumir, reflexo disso certas medidas para contenção de inflação já foram postas em prática. E depois de alguns dias de quedas seguidas na bolsa de valores os mercado vão se recuperando.

A boa notícia é que o Brasil pode abocanhar uma parte boa dessa história. O Brasil pode arrebanhar os investidores perdidos que perderam o interesse em juros baixos e alto risco, apresentados pela economia norte americana. O paraíso tropical onde vivemos apresenta baixo risco relativo à taxa de juros, que alias, é uma das mais altas do mundo.

Resultado:

A reserva de crédito brasileira está nas alturas. Os financiamentos de veículos nunca foram tão altos.

“O saldo do crédito para aquisição de veículos no primeiro bimestre cresceu 44,9% em comparação ao mesmo período de 2007, passando de R$ 80,6 bilhões para os atuais R$ 116,8 bilhões.” (Folha online)

Esse é o cenário atual. Porém tem sempre a parte ruim. A óbvia queda do dólar desfavorece nossa balança comercial, que têm apresentado quedas seguidas. A compra de maquinário e importação de tecnologias está sendo favorecida, porém a venda se torna difícil com o real tão caro frente ao dólar.

Para isso o governo vai adotar uma série de medidas para controle da balança e incentivo ao crescimento interno da indústria e do consumo. As medidas visam facilitar a concessão de financiamentos para produtos de exportação, feita pelo BNDES e isenção ou diminuição tributos aplicadas a setores específicos da indústria. As medidas facilitarão o escoamento da produção pelos cais, investirão na exportação de automóveis e helicópteros para a América do sul, além de investimentos na pesquisa tecnológica e consolidação da liderança das indústrias brasileiras nos setores primários.

Conclusão:

O novo cenário promete aventuras interessantes para aqueles que se interessam pelo tema ou que terão suas vidas diretamente afetadas pelos planos econômicos. O Brasil segue confiante dentro de uma projeção otimista, porém cautelosa do cenário econômico mundial.

Danda

sábado, 8 de março de 2008

Advogado do Diabo

Hoje trago algo menos formal, mas que3 acredito ser muito importante. Trago palavras de reflexão sobre ética, moral e valores... Apresento poucas palavras de minha autoria, porém estou interessado na discussão e reflexão que serão geradas à partir daqui.

Bom, ontem eu assisti novamente ao clássico do cinema, “O Advogado do Diabo”. Já o tinha visto outras vezes antes. Mas ontem eu o vi com outros olhos e captei um discurso interessantíssimo proclamado pelo mestre Al Pacino. Ele discorre sobre a ganância e vaidade do homem, “qualidades” estas que inundam os novos tempos, os tempos modernos de negócios rápidos pela internet, de grandes corporações e conglomerados acionários em busca de gigantescos lucros e a eterna luta pelo poder. Tempos caducos e caóticos. São os impulsos instintivos do ser sendo cada vez mais institucionalizados de forma maciça e descontrolada.

São tempos em que devemos nos fazer perguntas elementares e buscar os valores que nos constituem. Procurar consolidar os pilares de quem somos nós e qual a nossa proposta frente ao mundo.

Não quero mudar o mundo, n quero impor valores à ngm, e nem acho que podemos fazer muito em nossa existência. Mas acredito que devemos ser retilíneos ao traçar nossa existência em cima daquilo que acreditamos. Nunca podemos deixar pra trás aquilo que nos constituiu como seres pensantes e racionais. Não podemos perder a inspiração que a vida nos deu quando jovens, os simples prazeres de tornar nossa vivência algo agradável e produtivo para o bem de todos ao nosso redor.

Reflitam sobre isso...

Aqui vai a citação do filme para fins ilustrativos e de reflexão:

“A sociedade cria egos do tamanho de catedrais... E a fibra ótica conecta o mundo a cada impulso de ego. Chega a barrar as mais enfadonhas serpentes... Com fantasias douradas até cada ser humano se converter num imperador, até se ver como um deus. E qual será a próxima etapa?

Sentido errado! Foda-se...

Enquanto saltamos de um negócio para o outro... Quem olha pelo planeta? O ar rarefaz-se, a água acidifica-se, até as abelhas provam o sabor metálico da radioatividade... E a podridão aumenta velozmente.

Socorro! Parem!

Não há chance para pensar, para preparar. Comprar e vender futuros... Quando o futuro é uma ilusão. O mundo está desgovernado. Há uma imensa multidão que [...] corre para o futuro. Todos eles prontos a enfiar a mão no cu do ex-planeta de Deus, limpando em seguida os dedinhos, para os aplicar nos seus puros teclados cibernéticos... A fim de somarem horas aos seus honorários.

E, de repente, faz-se luz.

É preciso pagar por tudo [...] É um pouco tarde para se comprar o direito a sair. [...] A sua pança está tão cheia, a sua vista cansada, tem os olhos cor de sangue e grita por socorro. Mas sabe o que mais?

Ninguém pode ajudar!

Está sozinho [...] É a mais especial das criaturinhas de Deus! Talvez seja verdade... Talvez Deus tenha lançado a sorte sobre o futuro da humanidade.”

Al Pacino em “O Advogado do Diabo”.

Danda.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A constituição do ser

O ser humano é um ser diferenciado de todas as outras criaturas existentes nesse planeta. O ser humano é um ser pensante, racional. A sua racionalidade significa ter capacidade de estabelecer padrões de comportamento e ação para que assim seja possível tomar uma atitude com fins pré-estabelecidos. Dentro da racionalidade do ser está sua capacidade de dar valores às ações, aos objetos e à tudo aquilo que o circunda.

Desde o seu nascimento o ser está absorvendo trechos de realidade e estabelecendo relações e padrões, mesmo que subconscientemente. Se as relações sociais que constituem uma realidade estão submetidas à coerção e doutrinas o ser apresentado a esse meio estará, desde cedo, estabelecendo padrões baseados nessas relações condicionadas. Logo, a natureza do ser, propriamente dita, será omitida dando lugar a condicionamentos pré-estabelecidos por ordens de poder.

A hierarquização social se dá por meio de relações de poder. Aquele, ou aqueles, que têm o controle dos meios materiais são os condicionadores da dinâmica social. Dentro de uma sociedade são vários os meios materiais que entregam esse tipo de realização para seus possuidores. Mídia, mercado, religião, política, etc. O mercado, sem dúvidas, é a maior força condicionadora dos tempos atuais. A classe empresarial é quem determina o mercado. Essa classe, em busca de lucros, propõe meios capazes de determinar o comportamento de uma multidão, e é essa a tarefa da classe empresarial. Mobilizar classes a fim de girar o mercado. A propaganda e o marketing são formas reais de se doutrinar as pessoas a certos valores e comportamentos. Caso claro é como que numa sociedade o valor atribuído ao que é novo e ao que está exposto pela mídia como bom é maior do que o valor atribuído ao que, de forma concisa, se determina melhor. Explico:

Quem nunca ouviu a frase genérica: “ah, não fazem mais tal coisa como antigamente!”? Essa frase é bem curiosa, pq ela exprime uma realidade decadente. As coisas se tornam descartáveis e supérfluas. A frenética ação do mercado atrás de lucro determina uma rotina de consumo psicótico. Existe uma urgência em comprar tudo àquilo que é propagandeado. Essa produção super-desenvolvida deixa a qualidade de lado e dá lugar à quantificação da matéria. O propósito e a razão de existência dos produtos se perdem em meio à ganância e à alienação das pessoas. O foco da produção se tornou apenas o ganho financeiro, quando deveria ser a qualidade e a utilização dos produtos, que por conseqüência geraria lucro. Um objeto deve ser desenvolvido com fim no seu próprio uso, e não no que ele pode gerar em termos de rendimentos financeiros.

Essa distorção é refletida diretamente na sociedade. Se quem produz quer determinar movimentos sociais eles têm tal capacidade. A indução ao consumo se dá de formas até mesmo não compreensíveis. O ser absorve tudo que o circunda, o que significa que a mensagem não precisa ser necessariamente explícita. Cada filme da Disney que vc, inocentemente assiste, é cheio de mensagens que expõe valores daqueles que o escreveram. Vc absorve tais valores mesmo sem perceber e isso vai determinando uma ordem social que reflete valores daqueles que possuem os meios materiais.

Quando vc cresce e se determina como ser capaz de refletir suas ações e de repelir certos tipos de valores e aprendizados, baseado no que vc já experienciou, há, incrustado em vc todos esses valores subconscientes.

Ao final temos a pergunta: somos livres? Somos livre pensadores? Somos capazes de repelir e repensar nossa propria existencia?



Danda


quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"Prioridade"

Eu não canso de sempre falar sobre educação. E pra não ser diferente, mostrarei mais um absurdo que os políticos pretendem praticar. Estão previstos 4,8 bilhões de reais no Orçamento da União para o Ministério da Defesa e apenas 2,1 bilhões de reais para o Ministério da Educação para 2008. Lembro-me bem da posse de Lula quando foi proferido que a educação era "prioridade" no seu segundo mandato. E por que não foi no primeiro? Essa prioridade não foi mostrada concretamente em nenhum momento até agora. Pelo contrário, só ouço palavras vazias e promessas estúpidas que visam somente a concretização a curto prazo, sem nenhum planejamento consistente. Um exemplo é o Brasil fazer acordos internacionais - em outras palavras, as promessa inócuas - em que garante tantos porcentos de aprovados no ensino médio daqui a tantos anos, ou ter um aumento de outros tantos porcentos de alunos no ensino superior. Lula desde o começo do ano teve uma média de 1 viagem internacional a cada 10 dias. Ótimo para fugir das encrencas domésticas. Recentemente, o presidente falou em construir mais universidades públicas. Será que ele não visitou alguma universidade pública? Será que lhe faltam dados sobre as diversas carências de todas as universidades públicas? A lógica do governo é expandir sem qualidade! As quatro universidades construídas por ele são novas, os banheiros ainda devem funcionar em sua plenitude e não há "gatos" na rede elétrica. Mas esperem alguns anos e a falta de atenção de outros governos também será decisiva na concretização da falência do ensino público brasileiro e da dependência tecnológica em vários ramos.
Outro ponto importante e que poucas pessoas tomam nota - e quando o fazem, ouvem inverdades - é sobre o REUNI. Na verdade, o REUNI estava previsto como meta de expansão da oferta do ensino superior no Plano Nacional de Educação, uma lei. REUNI é o decreto 6096 que se chama Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das universidades Federais. Vamos ao que diz o decreto. Ele tem o objetivo de ampliar o acesso e a permanência no ensino superior, no nível de graduação, "pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais". Ou seja, quase nada. O queixo cai agora, logo no inciso 1 do primeiro artigo: "elevação gradual da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para 90%! e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para 18%! em cinco anos". Se alguém ainda tem dúvida se isso funcionará está fantasiando. Ok. Se isso for cumprido será pior ainda. Ora, se essa meta levasse em conta critérios da boa qualidade e da perpetuação de graduados em nível internacional, não haveria problema. Só que sabemos que essa meta significará péssimos formandos, infraestrutura precária, salários baixíssimos em muitas desgraças mais. Ficará facílimo ser um graduado. A primeira contradição é que pelo PAC, nos próximos 10 anos!, haverá uma limitação na expansão das folhas de pagamento não superior a 1,5% ao ano. Pelo visto a meta está só no pensamento. O governo, com esse decreto, prega uma falsa inclusão social. A aprovação automática é o oposto preconizado para o aumento da qualidade do ensino superior. Com isso, Lulinha paz e amor faz a cabeça dos menos favorecidos. Ainda, até agora 15 universidades aderiram ao REUNI, inclusive a UnB. No entanto, o que acontecerá com as universidades que não aderirem? Ficarão sem uma fatia reservada do bolo?
Finalizando, fica evidente o quanto a cada dia a educação não é tratada como educação e sim, como instrumento de barganha para conseguir votos mergulhados em acordos políticos e remanejamento escusos de verbas públicas. Fica por último mais uma constatação esdrúxula. No próprio decreto 6096, em seu terceiro inciso do terceiro artigo, está escrito que os planos de reestruturação serão condicionados à capacidade orçamentária e operacional do Ministério da Educação. O poço está perto.

Rodolfo

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Ciências naturais x pseudo-ciências

Durante alguns anos, pude perceber acontecimentos bem esdrúxulos, nos quais um padrão era seguido por todos eles. Claro que com algum interesse por trás. Até aí tudo bem. Similaridades podem surgir, num campo mais profundo, com os textos precedentes, mas vale ressaltar o procedimento mais evidente, a relação mais próxima com o "consumidor final". Sendo mais direto, quero falar da famosa pseudociência. Um apanhado de conhecimento quase imutável que se veste de ciência pra ganhar legitimidade com algum fim. Na maioria das vezes, causar rebuliço.

A pseudociência se distancia e muito da verdadeira Ciência. A distinção que é facilmente percebida é que o objetivo da ciência é refinar o nosso conhecimento do mundo físico, enquanto a pseudociência é movida por objetivos ideológico, cultural, comercial e muitos outros. A ciência sempre busca o contraditório, teorias e congêneres, são sempre que possíveis testadas por todos os modos e mesmo assim, podem ser invalidadas a qualquer tempo, e ainda tem que ser estabelecida sem ambigüidades. Agora, a pseudociência sempre vem acompanhada com termos vagos como "fluidos biomagnéticos" e "energias vibracionais", e sempre que algo a contesta, o motivo da contestação é sempre ignorado; dogmas, indivíduos que a representam tem status de personalidade e invocam autoridade. Pelo visto, uma é o oposto da outra.

Discorrerei sobre alguns exemplos. Apenas alguns, porque pseudociência é o que não falta. Uma forma de pseudociência é o filme "Quem Somos Nós". Todos quando terminamos de assistir ao filme ficamos pensativos, e acreditando mesmo que podemos influenciar o mundo com os nossos pensamentos. No filme são discutidos vários assuntos desde neurologia, física quântica, metafísica, psicologia, religião. Uma das idéias principais do filme, e teremos que concordar com isso, é o universo ser formado por pensamentos, idéias. Inclusive, a maioria das pessoas que participam do filme é renomada no mundo acadêmico. Alguns com vários PhDs. Algo bastante intrigante no filme é o protagonizado por Masaru Emoto. O sujeito que anunciou que os cristais de gelo das moléculas de água adquirem conformações de acordo com palavras, consciências, sons e por aí vai. Emoto recebeu um certificado da Open International University of Alternative Medicine de um ano. Medicina alternativa? Isso mesmo. No filme falava que palavras escritas como "amor", "obrigado", em um pedaço de papel, e fixadas em um contêiner de água, fazia com ela adquirisse formas belas e harmônicas. Enquanto palavras como "eu vou te matar" e outras agressivas proporcionavam cristais feios e assimétricos. O mesmo foi feito com música clássica e hard rock. Perguntaram para Emoto o que os cristais são e ele respondeu que "eram espíritos". Se alguém ainda acredita que isso é ciência... Pelo que tudo indica - e pode-se encontrar tudo o que estou falando com algumas buscas na internet -, os métodos usados por Emoto foram totalmente parciais. Ou seja, ele manipulou os resultados para se encaixarem no que ele queria que desse certo. Obviamente. O objetivo é dar respaldo para acreditar na manipulação da realidade com nossos pensamentos e influenciar pessoas, já que, segundo o filme, somos constituídos por 90% de água. O que é mentira. Recém-nascidos têm em torno de 78%, um homem e uma mulher adultos 60% e 55%, respectivamente. Quem vem acobertando é a parte neurológica do filme, na qual diz que peptídeos produzidos no cérebro causam uma reação emocional culminante, fazendo-nos ter novas perspectivas sobre nossos pensamentos. Daí termos sempre em mente uma noção de pensar sempre coisas boas e todo esse papo. Como era? Se os pensamentos podem fazer isso com a água, imagine o que podem fazer com os seres humanos, que são constituídos basicamente por água. Tudo pra falar que nossa mente tem o controle da realidade. Ora, e é óbvio, assim como todas as pseudociências - posso incluir a religião nisso? -, se não der certo com você, é porque você não acredita, ou acredita pouco. Talvez o aspecto pedagógico do filme, na parte superficial de fazer as pessoas entenderem alguns fundamentos qualitativos da física quântica tenha sido um bom negócio. Porém, nesse contexto de promover a pseudociência é totalmente prejudicial. Esquece o talvez. Pois só busca algo - e no presente caso, algo surreal para várias pessoas e de pouco domínio até para especialistas, a mecânica quântica - para dar embasamento à tais absurdos, à tais crenças vazias. E pelo contrário, a ciência, algo de credibilidade e possuidora da lógica mais fina, até agora, diz que "Deus joga dados". Em outras palavras, o "universo é um cassino".

Um outro exemplo muito curioso, e talvez um tanto desconhecido, é a Cultura Racional. Não posso falar com tanta propriedade sobre o assunto, pois ainda não li a obra célebre "Universo em Desencanto". A filosofia por trás dessa "cultura" é voltarmos para a nossa origem, que é um mundo em que ainda não fomos corrompidos pelos fluidos monstros. São eles: o elétrico e o magnético. E ao ler tal obra, vamos aos poucos nos livrando desse mundo que nos mata com "alterações biomagnéticas". As doenças, por exemplo. Leremos à obra até chegarmos num estágio em que possamos ver em todas as dimensões! Ver o que acontece do Brasil, no Japão. Premeditar o futuro. E claro, essa religião é genuinamente brasileira. Ainda, segundo uma palestra assistida ao vivo: a luz, somente em Brasília, é fotoelétrica! Isso dispensa comentários. Total absurdo que, assim como o filme, tenta legitimar a crença nas costas da ciência.

Esse assunto me faz pensar que se a ciência fosse tratada como dogma, onde estaria a base para outras pseudociências, já que os termos usados são, algumas vezes, dela advindos. E ainda mais grave, quais seriam os reagentes do desenvolvimento intelectual e da humanidade? - pra não dizer desenvolvimento humano, pois pode avivar más interpretações. Seria o caso de tratá-la como imutável, porque é um dogma. Ficaríamos estagnados. Não vale a pena.

Rodolfo